segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ARGENTINA: CRISTINA VENCE MAIS UMA VEZ O GOLPE E A MÍDIA

Cristina Kirchner e seu candidato Daniel Scioli (Foto: Wikimedia Commons)

Vejamos como a presidenta Cristina Kirchner ganhou as primárias e impôs a vitória de seu candidato, Daniel Scioli, sobre o candidato da mídia.


Por FC Leite Filho - Café na Política -  reproduzido do portal Carta Maior, de 10/08/2015

Vejamos como a presidenta Cristina Kirchner ganhou as primárias de ontem, impondo a vitória de seu candidato Daniel Scioli, já no primeiro turno, e derrotando com 13% de vantagem o candidato da mídia, Maurício Macri. Primeiro, ela enfrentou o golpe midiático com a realização de um grande governo e uma determinação pessoal, que incluiu o uso dos instrumentos de poder para, ao mesmo tempo, impor um modelo de desenvolvimento autônomo e conter o adversário poderoso e ensandecido.
 
Lembremos que, ao longo de seus dois mandatos de oito anos (2007-2015), irrompeu o mais implacável processo de desestabilização, que não se resumiu a manchetes de jornais, mas enfiou-se numa treslocada irrupção de desastres provocados de trens, saques a lojas e supermercados, greves gerais e setoriais sucessivas, incluindo de policiais, a paralisação do campo com a iminência de desabastecimento e um ataque permanente à economia por parte dos chamados fundos abutres, este a partir do exterior.
 
Cristina estava convencida de que sofria não só um ataque interno, mas sobretudo externo, em razão da nova geopolítica que visava eliminar, inclusive com a guerra civil, os governos progressistas surgidos com Hugo Chávez, na Venezuela, Lula da Silva, no Brasil e ela própria, com seu marido e antecessor, o falecido presidente Néstor Kirchner, na Argentina. Por isso, foi em cima da cabeça da conspiração: o Clarín, jornal que lidera um mastodôntico conglomerado de TVs, rádios, jornais e internet, cortando-lhe as asas com uma lei de regulação da mídia e a construção de um sistema próprio de comunicação governamental para desnudar e desmoralizar cada uma de suas investidas. Tais investidas, como bem o sabemos por aqui no Brasil, desde Getúlio Vargas, incluem, desde incitamentos a greves e distúrbios de ruas, fabricação de escândalos, desmoralização das autoridades e divulgação de boatos destinados a atacar a moeda e fragilizar as finanças nacionais.
 
Com essas forças desestabilizadoras neutralizadas em seu limite, a presidenta pôde realizar uma das mais profícuas administrações desde Perón, tendo como base o projeto de modelo nacional que elaborou com o marido falecido e um grupo de militantes transversais, o qual faz da Argentina hoje um dos países com maior nível de ocupação, saúde e educação. Seu programa incluiu medidas igualmente corajosas, como a reestatizacão dos fundos de pensão, que aumentou de 200 para mais de três mil pesos os soldos dos aposentados, da YPF, a Petrobras de lá, e um sistema de proteção à economia, baseada sobretudo no desendividamento.
 
Essas medidas, que se iniciaram com um acordo com os credores, que diminuiu a dívida externa em mais de 70%, ainda no período Néstor Kirchner (2003-2007), e uma aproximação com os poderes emergentes da China e da Rússia, permitiram a construção de grandes obras públicas, como 15 novas universidades nacionais espalhadas por todas as províncias (estados), usinas hidrelétricas e nucleares, a fabricação de um satélite próprio, reformas e edificações de mais de 10 mil escolas e postos de saúde, distribuição de computadores para os estudantes, estradas, crescimento exponencial do turismo e da cultura, além de um programa de bolsa família e de emprego, que diminuiu a miséria e elevou grandes contingentes da pobreza à classe média.Lembre-se que ela fez tudo isso apesar de uma inflação de 25% a 30%.
 
Agora, Cristina Kirchner se prepara para, em dezembro, deixar o governo a seu sucessor, ainda a ser eleito em 25 de outubro (as eleições de ontem só foram uma prévia), tendo como principal meta a defesa dos governos progressistas, quase todos eles atualmente ameaçados por intensa ofensiva golpista, partida principalmente dos sistemas de dominação sediados nos Estados Unidos e na Europa. Seu destino ainda é uma incógnita, mas, sabe-se, que ela terá um importante papel na Unasul (União de Nações Sul-Americanas), antes de tentar voltar ao poder em 2019.

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