segunda-feira, 20 de julho de 2015

DIREITA GANHA EM BUENOS AIRES POR PEQUENA MARGEM DE DIFERENÇA

Horacio Rodriguez Larreta ao lado de Mauricio Macri (à direita) (Foto: PISARENKO/AP)
Partido do candidato presidencial conservador Mauricio Macri venceu por só três pontos.
Por Alejandro Rebossio – de Buenos Aires – reproduzido de brasil.elpais.com, de 20/07/2015
Em Buenos Aires, o bastião do candidato presidencial conservador, Mauricio Macri, as pesquisas previam que seu partido Proposta Republicana (PRO) venceria no domingo por 10 pontos percentuais no segundo turno das eleições a prefeito. Mas o candidato da direita para suceder a Macri na prefeitura bonaerense, Horacio Rodríguez Larreta, acabou vencendo por três, com 51,6% dos votos, contra 48,4% de seu rival de centro-esquerda Martín Lousteau. Mesmo que o PRO tenha mantido o único dos 24 distritos da Argentina no qual governa, o quarto em quantidade de população, a vitória por uma estreita margem de votos debilita as aspirações de Macri em se tornar presidente da Argentina e fortalece as do kirchnerista Daniel Scioli, segundo análises do canal de notícias TN. Dentro de três semanas acontecerão as eleições presidenciais primárias de voto obrigatório.
O PRO é um partido criado por Macri, ex-presidente do Boca Juniors e filho de um poderoso empresário, após a crise argentina de 2001/2002. Macri governa há oito anos a capital argentina — que possui 7% do eleitorado argentino — e seu atual chefe de Gabinete de Ministros, Rodríguez Larreta, irá sucedê-lo no cargo por outros quatro. Nessa rica cidade, mas com bairros pobres nos quais o índice de homicídios é semelhante ao do sexto país mais violento do mundo, a Guatemala, o candidato conservador superou Lousteau no primeiro turno por 20 pontos de diferença, 45% a 25%. O candidato kirchnerista caiu para o terceiro lugar, com 21%, e dois trotskistas somaram no total 7%.
Para o segundo turno, o kirchnerismo declarou que não apoiaria nenhum dos concorrentes, mas alguns de seus dirigentes se dividiram entre os que manifestaram apoio a Lousteau e os que preferiram se abster, uma vez que Lousteau, ex-ministro de Economia do Governo da peronista Cristina Kirchner entre 2007 e 2008, estava respaldado por dois partidos aliados do PRO para as eleições presidenciais, os centristas União Cívica Radial (UCR), tradicional rival do peronismo, e a Coalizão Cívica. Também tinha o apoio do Partido Socialista, que promove a candidatura de Margarita Stolbizer a chefe de Estado. O trotskismo pediu aos seus eleitores que votassem em branco. Mas a maioria dos kirchneristas e trotskistas escolheu Lousteau para prejudicar a direita. O voto em branco terminou com 5,4% no domingo.
O PRO esperava uma vitória por uma diferença maior no domingo  para que Macri iniciasse sua campanha eleitoral a todo vapor. Os primeiros resultados oficiais deixaram seus militantes mudos. De qualquer forma, o candidato presidencial conservador pode se dar por satisfeito ao manter o poder em Buenos Aires, onde a maioria dos eleitores avaliou satisfatoriamente suas conquistas em matéria de transportes, como a construção de pistas exclusivas para ônibus e ciclovias, e nos espaços públicos, como a melhoria das praças, incluindo as situadas nos bairros pobres. Claro que, diferentemente das eleições de 2007 e 2011, nas quais Macri enfrentou o kirchnerismo no segundo turno e venceu por mais de 20 pontos (61% a 39% e 64% a 36%), desta vez seu partido conseguiu uma vitória mais exígua contra um rival que até agora não apoiou nenhum candidato presidencial.
Na Energia Cidadã Organizada (ECO), a coalizão liderada por Lousteau, os resultados também causaram surpresa. Depois do silêncio inicial, começaram a dançar com a música do grupo de rock uruguaio No Te Va Gustar e proferir palavras de ordem contra Macri e o PRO. Apesar da derrota, seus militantes festejaram. O candidato presidencial da UCR, Ernesto Sanz, também comemorou. Ele espera que esse resultado melhore suas baixíssimas probabilidades de vencer nas primárias da aliança Mudemos contra o conservador Macri. A disputa eleitoral de Buenos Aires revelou tensão entre eles, ainda que talvez por essa aliança nacional Lousteau tenha evitado aprofundar suas críticas aos “princípios éticos com os quais é preciso administrar a cidade”. Rodríguez Larreta está sendo processado por suposto desvio de verbas de bens públicos no Governo do peronista Carlos Menem (1989-1999).

Outros candidatos de oposição também ficaram otimistas no domingo em aproveitar o desgaste do atual prefeito de Buenos Aires: o peronista oposicionista Sergio Massa, antes favorito, agora sonha em ressurgir nas pesquisas de intenção de voto e a progressista Stolbizer almeja acabar em terceiro. Scioli, o único candidato kirchnerista, também está esperançoso. Já ficou demonstrado que as pesquisas se enganam, mas a última feita pela empresa de consultoria Haime mostrou na semana passada que, nas primárias de 9 de agosto, Scioli obterá 39% frente aos 30% dos três candidatos do Mudemos, liderados por Macri, os 16% dos concorrentes do peronismo oposicionista, com Massa à frente, e os 4% de Stolbizer, única postulante da frente Progressistas. Em outubro será realizado o primeiro turno das eleições presidenciais com os candidatos escolhidos nas primárias.

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