terça-feira, 30 de junho de 2015

PERU: LENTO AVANÇO EM MATÉRIA DE DIREITOS HUMANOS

Em 2009, Alberto Fujimori era julgado por violações aos direitos humanos na década de 90 (Foto: EFE/Página/12)
Segundo o Grupo de Trabalho da ONU sobre os Desaparecimentos Forçados ou Involuntários, depois de visita ao Peru: os processos judiciais dos responsáveis por violações aos direitos humanos entre 1980 e 2000 são poucos, avançam lentamente e muitas vezes culminam com penas leves ou absolvição. A condenação de Fujimori foi o ponto mais destacado.
Por Carlos Noriega, de Lima – no jornal argentino Página/12, edição impressa de 15/06/2015
As sequelas e feridas abertas pelas violações aos direitos humanos cometidas durante o conflito armado interno, que entre os anos 1980 e 2000 deixou cerca de 70 mil mortos e 16 mil desaparecidos, permanecem abertas e os processos judiciais dos responsáveis por  esses crimes são poucos, avançam lentamente e muitas vezes culminam com penas leves, ou inclusive a absolvição, para os acusados. A esta conclusão chegou o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre os Desaparecimentos Forçados ou Involuntários, que há uns dias visitou o Peru, encabeçado pelo argentino Ariel Dulitzky.
Nos últimos 15 anos houve avanços e retrocessos no processo de justiça pelas violações aos direitos humanos que marcaram a fogo o país durante as décadas dos anos 80 e 90. O julgamento e condenação a 25 anos do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000) por crimes de lesa humanidade é o ponto mais destacado neste processo de justiça. As condenações dos membros do grupo Colina, o esquadrão da morte do regime fujimorista, é outra conquista central. Mas estes processos judiciais fundamentais  terminaram sendo quase uma exceção.
Apesar da magnitude que tiveram os desaparecimentos, execuções extrajudiciais, as matanças de comunidades camponesas, as torturas e as violações, os processos judiciais por estes casos foram poucos, e as condenações menos ainda. Somente 58 denúncias pelos crimes cometidos nesses anos chegaram a receber uma sentença judicial, e a maioria dos processados terminaram sendo absolvidos. Somente uns 60 militares e policiais foram condenados e mais de 130 terminaram absolvidos.
O desaparecimento forçado foi um crime amplamente praticado pelas forças de segurança. Dos 16 mil casos de desaparecimentos forçados durante a guerra interna registrados pela Cruz Vermelha Internacional, somente 24 casos chegaram a ter uma sentença nos tribunais. Nesses processos, 24 acusados foram absolvidos e somente 12 receberam uma condenação, que na maioria dos casos foi de 15 anos, o mínimo que contempla a lei para esse delito.
Continua em espanhol, com traduções pontuais:
“En los tribunales hay una tendencia a la absolución de los procesados por violaciones a los derechos humanos. La Sala Penal Nacional, que es el tribunal de derechos humanos, ha ido levantando argumentos para garantizar la impunidad de los procesados. Hay, por ejemplo, sentencias absolutorias en casos de desapariciones forzadas con argumentos absurdos”, señaló a Página/12 Carlos Rivera, abogado especializado en derechos humanos y miembro del Instituto de Defensa Legal.
Exigir la existencia de una orden escrita para cometer el secuestro y la desaparición o desestimar (ou desqualificar) los testimonios de los familiares de los desaparecidos – en la mayoría de casos testigos (testemunhas) del secuestro – argumentando que se trata de testimonios interesados en el resultado del proceso, son algunos de esos “argumentos absurdos” a los que se refiere Rivera.
Un caso emblemático de la protección oficial a los perpetradores de crímenes de lesa humanidad es la matanza de 123 campesinos en la comunidad andina de Putis, ocurrida en 1984, cometida por una patrulla del ejército. El proceso judicial no avanza porque los militares se niegan a entregar la información que identifique a los efectivos que formaban esa patrulla. Esa negativa ha sido respaldada por los ministros de Defensa de los gobiernos de Alan García y Ollanta Humala.
“El impulso inicial a favor de los derechos humanos con en el informe de la Comisión de la Verdad y Reconciliación en 2003 ha ido decayendo significativamente. La llegada del gobierno de Alan García (2006-2011) ha sido decisiva en casi aniquilar ese impulso a favor de los derechos humanos. Desde la presidencia, García presionó a fiscales (promotores) y jueces con un discurso anti derechos humanos”, señala Rivera. En su segundo gobierno, Alan García, sobre quien pesan acusaciones por las graves violaciones a los derechos humanos cometidas en su primer gobierno (19851990), dictó una ley de impunidad para los violadores a los derechos humanos, que luego, por la presión pública, debió derogar (que em seguida, pela pressão da opinião pública, teve que revogar).
El abogado Rivera advierte un cambio (uma mudança) en la Corte Suprema – que fue la que condenó a Fujimori – contrario a la defensa de los derechos humanos. “La Corte Suprema muchas veces ha corregido las decisiones de los tribunales marcadas por una tendencia de favorecer a los victimarios (os acusados), pero eso ha cambiado (porém isso mudou). Antes la Corte Suprema jugaba a favor de los derechos humanos, ahora ya no es así”, asegura Rivera.
Recientemente, el máximo tribunal anuló la condena y ordenó la libertad de uno de los dos (2) jefes militares sentenciados por el secuestro y desaparición, entre 1989 y 1993, de decenas (10) de estudiantes universitarios de la región andina de Huancayo. “Esta era una de las pocas condenas (condenações) de la Sala Penal por desaparición forzada y la Suprema la ha anulado, con una sentencia que puede generar mucho daño a los procesos por derechos humanos. Estamos presentando una denuncia contra esta decisión de la Suprema ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos”, dice Carlos Rivera.
Sobre la postura en el tema de derechos humanos y justicia del actual gobierno, Rivera indica que “el presidente Humala no tiene la misma posición de atacar los procesos de derechos humanos como tenía García, pero tampoco muestra una voluntad de darle un impulso a un proceso de justicia. Tenemos un gobierno que está de espaldas (que deu as costas) al tema de los derechos humanos”.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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