segunda-feira, 8 de junho de 2015

ANTONIO LASSANCE: REDE GLOBO MENTIU SOBRE ENVOLVIMENTO DA MÍDIA NO ESCÂNDALO DA FIFA

(Foto: José Cruz/ABr/Carta Maior)
Contrato da Nike com a CBF rendeu a Ricardo Teixeira US$15 milhões em propina. Outros 15 teriam ido para Hawilla, o afiliado da Rede Globo.

Por Antonio Lassance (cientista político) – reproduzido do portal Carta Maior, de 07/06/2015

A mentira de pernas tortas

A Rede Globo não apenas escondeu. Fez pior: mentiu deslavadamente ao dizer que a investigação do FBI sobre o esquema de propinas na FIFA não envolvia as empresas de mídia responsáveis pelas transmissões das copas do mundo de futebol.

O drible é facilmente revelado, primeiro, pelo próprio quadro produzido pelo FBI para explicar o fluxo de dinheiro embolsado pelos dirigentes da FIFA e das federações e confederações de futebol dos países.

O esquema, desenhado, mostra a relação íntima e escabrosa entre dirigentes das entidades do futebol, empresas de marketing esportivo, os grupos de transmissão televisiva e os patrocinadores.

Todos são não apenas suspeitos e, portanto, objeto da investigação que está em curso. Mais que isso, já existem grupos de mídia indiciados. O TyC Sports, canal de televisão argentino especializado em esportes, principalmente futebol, teve seu diretor executivo, Alejandro Burzaco, indiciado pela Justiça dos Estados Unidos, assim como Hugo Jinkis, presidente do grupo também argentino Full Play, que além de ser uma empresa que vende direitos de transmissão de eventos é uma empresa de mídia esportiva. 

Outro exemplo é o paulista José Hawilla, dono da empresa Traffic, que tornou-se delator grampeando conversas para o FBI, desde 2013. Hawilla é dono de uma afiliada da TV Globo no interior de São Paulo.

Por que a Globo esconde o jogo? Certamente, porque é muito difícil explicar como a empresa pode estar isenta de qualquer relação com os escândalos sendo, desde décadas, a detentora da exclusividade nas transmissões das Copas do Mundo da FIFA, um dos veios privilegiados da corrupção revelada.

Por essas e por outras é que o jornalista Juca Kfouri diz, com razão, que o mundo das transmissões de futebol na TV pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras.

Mas há ainda mais caroço nesse angu. A Globo também está interessada em ter a exclusividade de contar a muitos brasileiros, pela enésima vez, uma história que é um conto da carochinha sobre escândalos. Uma ficção em que só há corruptos, mas não corruptores. Os vilões são os que receberam a propina, enquanto os que pagaram se fazem de vítimas.

A moral de uma história imoral


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