terça-feira, 5 de maio de 2015

DARÍO PIGNOTTI: CRISTINA KIRCHNER NÃO TEM MEDO DA MÍDIA TRADICIONAL

(Foto: Ministério da Cultura da Argentina)

A pátria jornalística declarou uma guerra santa contra a presidenta e contra qualquer tentativa de correção de um sistema de comunicações atrofiado.

Por Darío Pignotti, no portal Carta Maior, de 04/05/2015

A sete meses de deixar a presidência, Cristina Fernández de Kirchner se mantém irredutível em seu compromisso, assumido já no primeiro governo, de enfrentar as corporações que conspiram contra a democratização das comunicações.

Cristina encarou abertamente essa situação, comprou uma briga direta com o oligopólio encabeçados pelo Grupo Clarín.

Por favor, parem de mentir”, foi o que disse a mandatária, diante das câmaras de TV, com um exemplar do diário Clarín nas mãos.

GUERRA É GUERRA

O governo mantém um combate integral contra os barões da imprensa, que defendem seu status quo aliando-se com banqueiros, fazendeiros, industriais e, principalmente, com a Embaixada dos Estados Unidos.

Parte da estratégia presidencial, nessa guerra esférica contra os donos da imprensa, foi a promulgação de uma lei antimonopolista, que estimulou o debate das massas sobre o direito à comunicação, e destinou fundos milionários aos meios públicos e comunitários.

CONSTRUÇÃO DO CONSENSO

Sem se deixar intimidar pelas pressões da direita e das empresas de notícias, o governo de Cristina impulsou um debate nacional sobre democracia, poder e meios de comunicação, que antecipou o trâmite da Lei de Serviços Audiovisuais (conhecida no Brasil como Lei de Meios), posteriormente levada no Congresso.

O projeto foi discutido durante mais de um ano nas assembleias legislativas do interior do país, em sindicatos, em organizações comunitárias e em faculdades de comunicação, e em todas essas instâncias foram propostos novos artigos, que foram incluídos pelo governo.

Cerca de 20 reitores de universidades pediram aos legisladores que aprovasse o projeto, porque o consideravam “muito avançado e favorável à pluralidade”, avaliação que coincidiu com a expressada por Franck La Rue, relator da Comissão de Liberdade de Expressão das Nações Unidas, a respeito da lei.

Após esse longo trabalho de legitimação e conscientização, o Congresso aprovou, em outubro de 2009, a Lei 26.522, promulgada imediatamente por Cristina.

É INGÊNUO PACTAR COM A GRANDE MÍDIA


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