terça-feira, 28 de abril de 2015

DÉBORA SILVA MARIA: "O BRASIL É UM PRODUTOR DE MÃES DE MAIO"

(Foto: Elsa Fiúza/ABr)

Débora Silva Maria, liderança do movimento Mães de Maio, debate a criação da Comissão da Verdade da Democracia com o Correio da Cidadania.


Por Gabriel Brito e Paulo da Silva Júnior, do Correio da Cidadania - reproduzido do portal Carta Maior, postagem de 22/04/2015

"Uma luz no fim do túnel". É assim que Débora Silva Maria, liderança do movimento Mães de Maio, define a criação da ‘Comissão da Verdade da Democracia – Mães de Maio’, recém-aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Para ela, que perdeu o filho nos famosos choques entre Estado x PCC em maio de 2006, no qual centenas de pessoas comprovadamente inocentes foram assassinadas pelas forças policiais, o Estado precisa reconhecer sua responsabilidade na histórica violência contra os mais pobres.

“O Brasil é um produtor de mães de maio. Vemos que só mudam o endereço e o estado das vítimas, porque o militarismo está perpetuado em nosso país. A ditadura não acabou. Está muito presente nos nossos dias e temos que acabar com ela. Pra diminuir, com certeza, 90% da violência do país, precisamos desmilitarizar a polícia, a justiça e a própria sociedade”, disse Débora, que também conheceu de perto os trabalhos e investigações da Comissão da Verdade relativa aos crimes da ditadura.

O discurso de Débora é forte, incisivo, com os traços de quem conheceu as relações de poder da sociedade brasileira pela pior maneira possível. Dessa forma, não faz concessões em suas demandas. “Vemos com entusiasmo, pois almejamos muito, mas também com desconfiança. Não aceitamos que falem por nós. Nós é que vamos impor a regra. Porque quem sentiu na pele o que é o Estado terrorista foi a gente, que vive na periferia, no gueto, e sabemos muito bem o que é não ter direitos”.

Na conversa, ela fala das articulações que o movimento tem feito e também das pressões que cada vez mais exerce sobre as instituições, inclusive em Brasília. Na esteira do debate, também apontou a “desmilitarização da polícia e do judiciário” como urgências da transição brasileira para uma verdadeira democracia, além de bater forte contra o projeto de redução da maioridade penal, uma das pautas conservadoras que permeiam o ano político.

A entrevista completa, gravada nos estúdios da webrádio Central3, pode ser lida na Carta Maior. Clicar aqui:

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