domingo, 8 de fevereiro de 2015

EVA GOLINGER: VENEZUELA: GOLPE EM TEMPO REAL



(Ilustração: Pátria Latina)
As manchetes da mídia gritam perigo, crise e derrota iminente, enquanto que os suspeitos de sempre declaram a guerra encoberta contra o povo venezuelano.

Por Eva Golinger, no site Diário Liberdade - reproduzido do portal Pátria Latina, de 08/02/2015

Há um golpe de Estado em marcha na Venezuela. As peças estão se encaixando como em um filme da CIA. A cada passo um novo traidor se revela, uma traição nasce, cheia de promessas para entregar a batata quente que justifique o injustificável. As infiltrações aumentam, os rumores circulam como um barril de pólvora, e a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica. As manchetes da mídia gritam perigo, crise e derrota iminente, enquanto que os suspeitos de sempre declaram a guerra encoberta contra um povo cujo único crime é ser guardião da maior mina de ouro negro no mundo.

Esta semana, enquanto o New York Times publicou um editorial desacreditando e ridicularizando o presidente venezuelano Nicolás Maduro, qualificando-o de "errático e despótico" ('O senhor Maduro em seu labirinto', NYT 26 de janeiro de 2015), um jornal no outro lado do Atlântico acusou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, a figura política mais destacada do país depois de Nicolás Maduro, de ser um chefe do narcotráfico ('El jefe de seguridad del número dos (dois) chavista deserta a EE.UU. y le acusa de narcotráfico', ABC.es 27 de janeiro de 2015). As acusações vêm de um ex-oficial da Guarda de Honra presidencial da Venezuela, Leasmy Salazar, que serviu ao presidente Chávez e foi recrutado pela Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), agora convertendo-se no novo "menino de ouro" na guerra de Washington contra a Venezuela.

Dois dias depois, o New York Times publicou um artigo de primeira página atacando a economia e a indústria petroleira venezuelana e prevendo sua queda ('Escassez e longas filas na Venezuela após a queda do petróleo', New York Times 29 de janeiro de 2015). Óbvias omissões do artigo incluíram menção das centenas de toneladas de alimentos e outros produtos de consumo que foram retidos ou vendidos como contrabando pelas distribuidoras privadas e empresas, afim de criar escassez, pânico, descontentamento com o Governo e de justificar a especulação dos preços inflados. O artigo também se nega a mencionar as medidas e iniciativas em curso implementadas pelo Governo para superar as dificuldades econômicas.
 
Ao mesmo tempo, uma notícia sensacionalista, absurda e enganosa foi publicada em vários diários estadunidenses, em forma impressa e online, que vincula a Venezuela às armas nucleares e um plano para bombardear a cidade de Nova Iorque ('Cientista é preso nos Estados Unidos por ajudar a Venezuela a construir bombas', 30 de janeiro de 2015, NPR). Enquanto que a manchete faz os leitores acreditarem que a Venezuela esteve diretamente envolvida num plano terrorista contra os EUA, o texto do artigo deixa claro que não há nenhuma participação venezuelana no acontecimento. Toda a farsa era uma armadilha criada pelo FBI, cujos agentes pretenderem ser funcionários venezuelanos para capturar um cientista nuclear que uma vez trabalhou no laboratório de Los Álamos e não tinha nenhuma conexão com a Venezuela.

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