segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

BRASIL: COMISSÃO DA VERDADE "MÃES DE MAIO" VAI APURAR VIOLÊNCIA POLICIAL

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"Dispomos de uma estrutura muito bem organizada de repressão e criminalização da pobreza em pleno regime democrático".

Da Comissão da Verdade da Democracia, via e-mail - do blog Viomundo - o que você não vê na mídia, de 13/02/2015


Olha quem morre
Então veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda
Que pratica o mal


Me ver
Pobre, preso ou morto
Já é cultural


(“Negro Drama”, Racionais MC’s)

José Guilherme Silva, 20 anos, morreu em 14 de setembro de 2013, em Limeira, interior de São Paulo, dentro de um carro da Força Tática da Polícia Militar. Ao ser detido, Silva era suspeito de participação em um roubo. Antes de ser colocado na viatura da PM, ele foi revistado pelos policiais e foi algemado com as mãos para trás. Cerca de 30 pessoas presenciaram a detenção do jovem e viram quando ele foi colocado no carro da polícia. O pai de Silva ainda viu quando PMs batiam no filho. Na versão dos policiais para a morte de Silva, ele conseguiu sacar um revólver calibre 38, cano longo, no trajeto entre o local de sua detenção e a delegacia para onde seria levado, e atirou contra própria cabeça. Essa versão de “suicídio”, no entanto, não satisfaz seus familiares, que exigem, ainda hoje, uma investigação apurada. Silva é um dos milhares de jovens que morreram nas mãos de policiais em circunstâncias não esclarecidas, mas cujos inquéritos policiais ou processos jurídicos são paralisados.

Segundo denúncia, grupos de extermínio existem em todos os batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A Corregedoria da polícia nega a acusação. Porém, os dados sobre a violência policial no Estado parecem contradizer a percepção oficial. Segundo informações do próprio órgão da Polícia Militar, mais de 10.152 pessoas foram assassinadas por policiais no período que vai de 1995 a 2014. Isso sem contar o número de pessoas que foram desaparecidas e que o Estado não reconhece como sendo assassinadas. Se somarmos a esses números a cifra referente aos homicídios perpetrados por policiais fora do expediente, teríamos um aumento de 25% na quantidade de vítimas.

Se, além disso, analisarmos os índices de mortalidade nas delegacias de polícia e nas unidades penitenciárias, os números também são alarmantes. Entre 2001 e 2011, 625 pessoas morreram nos Departamentos de Polícia Judiciária[1] do Estado de São Paulo. Já nas unidades prisionais, em três anos (2010 a 2012) aconteceram 1374 óbitos[2], uma média de 460 pessoas sob tutela do Estado mortas anualmente.

A sistematicidade da violência de Estado contra, principalmente, a população negra, pobre e periférica evidencia que, passados quase 30 anos do fim da ditadura, seu legado ainda vive, e se fortalece, nas estruturas policiais e militares, e nas políticas de segurança pública. Esse legado se materializa tanto no comportamento dos agentes públicos aplicadores da lei quanto na atuação das instituições, que operam segundo a lógica autoritária gestada durante o período ditatorial.

Clicar para ler mais no Viomundo (lá tem link para: PM da Bahia mata uma dúzia e o governador Rui Costa grita gol!)

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