domingo, 18 de janeiro de 2015

ELEAZAR DÍAZ RANGEL: MUDANÇA DE ÉPOCA NA AMÉRICA LATINA



(Foto: Nodal)
Rompem-se os laços de dependência de Washington que nossos países tiveram durante tantos anos.

Por Eleazar Díaz Rangel (*), parte de artigo traduzido do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 12/01/2015

O presidente (do Equador, Rafael) Correa foi o primeiro a identificar como mudança de época o que ocorria na América Latina com os processos de transformação iniciados, como há 200 anos na Venezuela, agora pelo presidente Hugo Chávez. O primeiro a abrir caminhos e a ter uma visão do que devia acontecer, dos passos que era necessário dar. Se repetiram na Bolívia, Equador, Nicarágua, Uruguai, Brasil, Argentina, em cada um segundo suas modalidades, e por isso a presidenta Fernández (de Kirchner) fala de unidade na diversidade. O caso é que não estávamos vivendo uma época de mudanças, íamos mais além: se tratava de algo mais transcendente e ele o chamou uma mudança de época. É o ocorrido. E temos dois extraordinários exemplos no diálogo Celac-China e na próxima Cúpula das Américas.

A China emerge como a primeira potência econômica do mundo, e se o Sr. Carlos Marx (Karl Marx) não se equivocou, a economia continuará determinando a política, como aconteceu desde começos do século 20, quando os Estados Unidos substituíram o Império Britânico, primeiro na economia mundial, depois na política, até os dias de hoje quando começam a dar passagem aos chineses. Certamente se trata de processos de longo alento, porém imparáveis. Ninguém com mais paciência do que os chineses para fortalecer as mudanças sem forçá-las, com acordos “entre iguais”, exemplo da cooperação sul-sul. Não é casual que no recente encontro os anfitriões propuseram e foi acertada a formação na China de mil jovens como líderes sociais e foram oferecidas seis mil bolsas. E mais a enorme ajuda econômica, de 250 bilhões de dólares, os acordos bilaterais firmados, entre eles o de cooperação militar com a Venezuela e outros países. Tudo acontece onde até ontem era o quintal dos Estados Unidos. E com todas as análises que estarão fazendo em Washington e seus arredores, não acabam percebendo que o que está ocorrendo na América Latina é uma mudança de época, tão simples assim. Rompem-se os laços de dependência de Washington que nossos países tiveram durante tantos anos.

Com características distintas, por iniciativa dos EUA foram criadas as cúpulas da América. Mas, que diferença! Começaram impondo a Alca no Canadá, com apenas a dissidência do gigante Chávez. Pouco durou a satisfação porque na reunião de Mar del Plata veio abaixo, ¡al carajo el Alca! Disseram em uníssono Chávez e Kirchner. Era outra demonstração das mudanças havidas. Foi o Panamá, antes dos anúncios de restabelecimento das relações dos EUA com Cuba, que decidiu convidá-la. Quem sabe o que diriam em Washington. O caso é que houve a decisão da maioria dos países de não participar no Panamá se não convidassem Cuba. E tiveram que fazê-lo a uma reunião que foi obra estadunidense para melhorar as relações com os latino-americanos e fortalecer suas ligações. Não será assim. Seguramente pedirão cara a cara a suspensão do bloqueio.

Tradução: Jadson Oliveira

(*) Observação deste blog Evidentemente: O autor é diretor de redação de Últimas Notícias, o jornal privado de maior circulação da Venezuela. A publicação cobre os fatos de maneira independente em relação ao governo chavista, com uma postura quase sempre bem crítica, mas só chega a ser realmente anti-chavista nos seus artigos de opinião, assinados. Uma orientação editorial bem moderada se comparamos com os jornais ultra-direitistas El Universal e El Nacional. Já Eleazar Rangel, que além de jornalista é professor, pessoalmente mantém uma posição bem afinada com os chavistas, conforme podemos ver no artigo acima.

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