sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CARTA DE CRISTINA KIRCHNER SOBRE O CASO NISMAN

Arquivo
(Foto: Carta Maior)

Em texto publicado em sua página no Facebook, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, questiona a hipótese de suicídio na morte do promotor Nisman.

Íntegra de texto postado por Cristina Kirchner em sua página no Facebook:
Por Cristina Kirchner, no portal Carta Maior, de 22/01/2015

“Os espiões que não eram espiões. As perguntas que se transformam em certezas. O suicídio (que estou convencida) não foi suicídio”

"Página 12: 'Quiseram usar Nisman vivo e agora o usarão morto'. Errado: foi usado vivo e depois precisavam dele morto. Triste e terrível assim".

‘Ontem, os argentinos conheceram a denúncia completa do Promotor Nisman. Sempre se disse que o idioma inglês, ao contrário do espanhol, não tem tanta diversidade de palavras para definir objetos, situações, adjetivos, etc. E é verdade. Mas devo reconhecer que nesta oportunidade, ao ver e ler no dia de hoje a capa do jornal portenho Buenos Aires Herald, a economia de vocabulário tem também suas vantagens.

Realmente, o citado matutino expressa sua opinião sobre a denúncia do Promotor Nisman com precisão cirúrgica, ou talvez linguística. Sobre um fac-símile do relatório, duas palavras inquestionáveis: “Nothing new” (“Nada novo.”)

Como se isso não bastasse, acrescenta como subtítulo: “O relatório de Nisman fracassa em avivar as chamas de conspiração.” Fracasso e conspiração, duas palavras que se tivessem sido usadas por esta Presidenta seriam objetos das piores críticas. Acho que ninguém poderá acusar o jornal de língua inglesa de ser um meio próximo ou cooptado pelo Governo.

Poderia mencionar também a análise de Horacio Verbitsky: Alerta vermelho, publicado em Página 12 também nesta data, ou o de Raúl Kollmann, no mesmo jornal, página 2 e 3... mas já sabemos, não faltariam aqueles que os impugnariam apesar de que os dois jornalistas analisaram e seguiram o caso AMIA desde o começo.

Horacio Verbitsky inclusive preside o CELS, que representa familiares de vítimas do atentado, que integram o coletivo Memória Ativa.

Bueno Aires Herald, Página 12 e outros meios (não quero ser injusta com ninguém), derrubaram como um castelo de cartas o que foi apresentado como “a denúncia do século” que demonstraria nada mais nada menos que a cumplicidade da Presidenta da República, de seu Chanceler e do Secretário Geral de La Cámpora, no encobrimento dos iranianos acusados de terem participado no atentado da AMIA há 21 anos.

Por outro lado, devo confessar que uma rápida leitura da denúncia publicada no CIJ, site da Corte Suprema de Justiça da Nação, serviu apenas para confirmar minhas piores suspeitas, e encontrar resposta a muitas das perguntas que fiz no dia 19 deste mês na ÚNICA carta que escrevi e compartilhei com o Povo argentino: AMIA. Outra vez: tragédia, confusão, mentira e perguntas.

Única com maiúscula porque naquela data comentaram sobre: “Uma nova carta de Cristina” (sic). NÃO. A carta foi só uma, difundida por diferentes sistemas da rede. Só é preciso ler o texto. Mas na Argentina, como sempre afirmo, todos os dias é preciso voltar a explicar o óbvio e simples.

Esta é a segunda e depois de, precisamente, ter conhecido finalmente o texto da denúncia, como o resto dos argentinos. Um saudável sinal democrático. A Presidenta denunciada fica sabendo ao mesmo tempo que o resto dos 40 milhões que tem a responsabilidade de representar.

Dizia que a leitura só confirmou minhas piores suspeitas. O Buenos Aires Herald tinha razão: “Nada novo.” Mas também por outras razões: “plantaram” informações falsas no relatório de Nisman. Quase uma réplica do que vi na comissão que acompanhava a investigação da causa principal. Os supostos agentes de inteligência que Nisman identificava como membros de uma “SIDE paralela” em conexão “direta” com a Presidenta, Ramón Allan Héctor Bogado e Héctor Yrimia, NUNCA pertenceram à Secretária de Inteligência, sob nenhum caráter. Pior ainda, com data de 12 de novembro de 2014, a Secretaria de Inteligência denunciou criminalmente o Sr. Bogado pelo possível delito de “tráfico de influência”, já que se apresentava como membro da inteligência aos funcionários da Aduana. A causa tramita no Tribunal Nacional Criminal e Correcional Federal nº 9.

Como se fosse pouco, dia 7 de agosto de 2013 foi recebido, na Secretaria de Inteligência, um ofício emitido pelo Tribunal Oral Criminal nº1 em uma causa pelo delito de “extorsão” no qual se questionava se Ramón Allan Bogado prestava serviços em dita dependência, e em caso afirmativo, devia comparecer ao Tribunal para declarar. Tudo que detalhei foi informado ao juiz Lijo por pedido do mesmo, por ter ficado radicada a denúncia de Nisman no tribunal de sua responsabilidade.'
 

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