quinta-feira, 2 de outubro de 2014

MÉXICO: OS FUNDAMENTOS DO PROTESTO ESTUDANTIL



Os milhares de jovens se reuniram desde vários pontos em Zacatenco e marcharam à sede da direção geral do IPN (Foto: Pablo Ramos/La Jornada)
Independentemente do que o discurso oficial tenha sustentado nas últimas três décadas, o impacto da orientação econômica ainda vigente (orientação de sucessivos governos do ciclo neoliberal) nos institutos e universidades públicos em seu conjunto tem sido devastador.

Editorial do jornal mexicano La Jornada, de 01/10/2014, sobre os protestos dos universitários do Instituto Politécnico Nacional, com o título ‘IPN: protestos com fundamento’ (o título acima é deste blog)

Dezenas de milhares de estudantes do Instituto Politécnico Nacional (IPN), acompanhados por contingentes de outros centros públicos de educação superior, professores e pais de família, marcharam ontem (dia 30/setembro) rumo à Secretaria de Governação, na Cidade do México, para entregar um documento com reivindicações ao titular da Secretaria, Miguel Ángel Osorio Chong, que o leu diante dos manifestantes e prometeu uma resposta para a sexta-feira próxima (dia 3).

Em princípio é pertinente saudar tanto o civismo, a disciplina e o espírito pacífico da manifestação como a disposição das autoridades em dialogar com os estudantes insatisfeitos.

Cabe assinalar, também, que o mal-estar dos politécnicos (estudantes do IPN) tem raízes mais fundas e extensas do que as razões circunstanciais que fizeram detonar o atual movimento estudantil: a aprovação de afogadilho de um plano de estudos e um regulamento restritivos que minimizam o alcance da formação acadêmica no IPN.
Yoloxóchitl Bustamante, diretora geral do IPN, considerou que uma proporção significativa dos jovens que participaram das mobilizações não são identificados como estudantes (Foto: Pablo Ramos/La Jornada)
Essas medidas, promovidas pela diretora Yoloxóchitl Bustamante – cuja renúncia ao cargo se difundiu à noite como rumor não confirmado –, são uma consequência concreta da questionada reforma educativa que foi implantada no ano passado pela administração atual e a presente legislatura, e que gerou um vasto movimento nacional de protesto por parte dos professores agrupados na Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE).

Continua em espanhol (com traduções pontuais):

En términos más generales, tanto esa reforma como las impugnadas determinaciones en el IPN son expresión de un largo empeño por disminuir la calidad, la cobertura y el nivel de la educación superior pública, sostenido (sustentado) por los sucesivos gobiernos del ciclo neoliberal. Independientemente de lo que el discurso oficial haya sostenido (sustentado) en las últimas tres décadas, el impacto de la orientación económica aún vigente en los institutos y universidades públicos en su conjunto ha sido devastador: reducción de la matrícula, achicamiento (diminuição) de los niveles educativos y caída en la calidad de la enseñanza (e queda na qualidade do ensino), todo ello (tudo isso) causado por la congelación o (ou) la reducción presupuestal (orçamentária). Los correlatos han sido, por un lado, la descontrolada proliferación de universidades privadas y la normalización de una visión comercial y mercantil de la educación y, por el otro, una aberrante estratificación clasista de la formación universitaria, hasta el punto en que ésta ha dejado de resultar accesible para los jóvenes procedentes de familias obreras y campesinas y ha perdido eficacia como mecanismo de movilidad social.

En esta lógica, los documentos normativos promovidos en el Poli (IPN) por Bustamante tendrían como consecuencia precisamente, en caso de entrar en vigor, la degradación de la calidad de la formación académica en esa institución para colocarla apenas por encima de una opción técnica terminal.

Por eso, además de desactivar las razones inmediatas del descontento de los alumnos del IPN y de llevar el conflicto a los cauces de la negociación y el diálogo, es necesario revaluar (reavaliar) la función de la educación superior pública y devolverla al sitial que no debió perder: el de motor del desarrollo (desenvolvimento) nacional y social. Aunque las mentalidades dominadas por los dogmas de la rentabilidad no sean capaces de entenderlo, el fortalecimiento de la enseñanza gratuita (do ensino gratuito) y de calidad en todos sus niveles no sólo responde a un mandato constitucional aún vigente sino que es la mejor inversión que puede hacer el país (como é o melhor investimento que o país pode fazer).

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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