segunda-feira, 8 de setembro de 2014

OS TENTÁCULOS INVISÍVEIS DO CAPITAL FINANCEIRO

Arquivo
(Foto: Carta Maior)

A gente não está associando o nosso mal estar, insatisfações e indignações ao domínio que o capital financeiro exerce diariamente em nossas vidas.

Instituintes e constituintes, em última análise, somos nós, cidadãs e cidadãos. Mas para isto precisamos nos conscientizar, organizar e agir. O primeiro passo para isto precisa ser dado. Isto só acontece se desvendamos os tentáculos que dominam as estruturas de poder, até nossos sonhos e desejos.

Por Cândido Grzybowski, no portal Carta Maior, de 06/09/2014 
Estamos vivendo um momento cheio de incertezas, mal estar, insatisfações generalizadas. As contradições são mais sentidas no cotidiano do que entendidas. Algo invisível parece regular nosso destino e não as instituições democráticas que temos. É uma conjuntura de ventos que sopram para cá e para lá, criando ainda mais confusão. Como olhar o que está por trás de tudo isto?

Meu ponto de vista – como todos, aliás, tenho o meu, mas nem todos o põem às claras – é de um filósofo e sociólogo político. Como dirigente de organização de cidadania ativa, o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), assume publicamente meu ativismo cidadão de modo radical, não partidário, mas parte da esquerda democrática existente no mundo.

Por isto mesmo, participei ativa e organicamente do processo Fórum Social Mundial na primeira década do século XXI, uma verdadeira “usina de ideias” para pensar e gestar movimentos de cidadania planetária contestatários da globalização neoliberal, imaginando e se engajando por “outros mundos possíveis”. O Fórum Social Mundial surgiu num momento como este, de grande mal estar e frustrações.

Tenho certeza que o melhor do FSM foi criar esperança e, de fato, abrir espaço para alternativas num mundo dominado pela dominação das corporações econômicas e financeiras e do ideário neoliberal, visível no Fórum Econômico Mundial, de Davos.

O fato é que, através do FSM, conseguimos denunciar as mazelas da globalização neoliberal, mas não foi suficiente para criar algo como uma onda irresistível de mudanças. A grande crise de 2008 foi gestada pelas contradições do próprio sistema capitalista financeiro dominante. Seu desdobramento, porém, não mudou os fundamentos intrínsecos do domínio financeiro neoliberal. Continuamos sob os tentáculos invisíveis do capital financeiro global, longe do controle político. Aliás, até pelo contrário, estamos sob governos que atendem os ditames do capital financeiro e até o socorrem. Quantos bilhões foram gastos, não para salvar gente da crise, mas para salvar um sistema financeiro corroído pelo câncer de sua própria ganância de extrair e acumular mais e mais valor, como o socorro nos EUA, após a quebra do Lemon Brothers.

Bem, num mundo desestabilizado pela grande crise de 2008, continuamos sendo controlados pelos tentáculos invisíveis do capital financeiro global.
 

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