terça-feira, 16 de setembro de 2014

ESTRANHO NO NINHO: UM REPÓRTER DE OPERA MUNDI NO ENCONTRO ULTRALIBERAL DE RON PAUL E DANILO GENTILI



Qual brasil queremos? Ovacionado pelo público, Ron Paul defendeu "corte máximo da intervenção do Estado" (Foto: Opera Mundi)
No Fórum Liberdade e Democracia, empresários e jovens empreendedores vaiam Che e Fidel e pedem redução máxima da intervenção do Estado

Por Dodô Calixto, de São Paulo – matéria reproduzida do portal Opera Mundi, de 10/09/2014

Teatro Net, São Paulo. O luxuoso auditório na Vila Olímpia recebeu nesta terça-feira (09) dezenas de empresários e jovens empreendedores para o 1° Fórum Liberdade e Democracia na cidade. Fui o selecionado na redação de Opera Mundi para acompanhar o evento.

No corredor de acesso ao teatro, placas e cartazes com organizadores e parceiros do evento: IFL (Instituto de Formação de Líderes), Instituto Liberal, Instituto Millenium, Instituto Ludwig Von Mises Brasil, Capitalismo Consciente...
 

"Estamos aqui para perguntar que rumos queremos para o Brasil. Para formar novos líderes, para defender a liberdade e a intervenção mínima do Estado na vida das pessoas. O governo não tem o direito de dizer o que eu tenho que fazer. Pelo direito às armas e outras liberdades individuais, pois não queremos ser tomados pelo socialismo e por regimes autoritários da América Latina".  Estas foram as palavras ditas logo na abertura do evento, aplaudidas de pé pelo público e assinadas pelas empresas patrocinadoras.

Gritos em favor da redução máxima de impostos, ajuste fiscal e corte maciço dos gastos públicos foram a tônica das seis horas de duração do evento. "Isso aqui é a revolução", disse um empresário sentado ao meu lado.

Aliás, fiquei a maior parte do evento "camuflado" - com roupa social e pinta de odiar o atual governo brasileiro, como mandava o figurino - entre empresários e os próprios palestrantes, entre eles Ron Paul, um dos pré-candidatos à presidência dos EUA pelo Partido Republicano nas eleições de 2012 e postulante à Casa Branca pelo Partido Libertário em 1988. Clique aqui e veja entrevista com Ron Paul

Nessas bandas, agindo como se fosse parte do "grupo", ouvi algumas boas:

"Revista Veja, o único veículo de comunicação do país que ainda defende interesses que podem salvar o Brasil". "Líderes comunistas da América Latina são feitos com propaganda na TV e alienação do povo". "Falta muito pouco para entrarmos na ditadura comunista". "Che Guevara, máquina fria de matar". Não vou mencionar críticas a Lula e Dilma e ao PT (Partido dos Trabalhadores), pois precisaria de uma reportagem inteira para isso.


 
Bem, mas como o objetivo da reportagem era debater ideias com os ultraliberais sob "outra perspectiva", resolvi me posicionar. "Como explicar para milhões de brasileiros que saíram da miséria extrema graças aos programas sociais do governo de que o Estado deve ser reduzido ao mínimo e que o Bolsa Família, por exemplo, deve acabar?", perguntei ao presidente do IFL, Tomás Martins, organizador do evento.
Dezenas de empresários e jovens empreendedores acompanharam o Fórum Liberdade e Democracia, no Teatro Net (Foto: Opera Mundi)
"Essas pessoas cresceram graças ao trabalho e à produção. Foram fomentadas pelo consumo e o poder de compra que tiveram com a estabilização da economia e redução da inflação. Então, não foi um mero programa assistencialista que reduziu a pobreza", respondeu.

"A ONU tenta há mais de 40 anos reduzir a pobreza na África. Não funciona, pois não adianta fazer política em Nova York e esperar resultados na África. Essas pessoas precisam ser apoderadas. E como se faz isso? Através da liberdade. Essas pessoas precisam ser livres para comprar e produzir aquilo que desejam", completou serena e educadamente o jovem empresário.

A mesmo sorte não tive com Ricardo Murphy, ex-ministro da Economia da Argentina, que renunciou ao cargo dez dias depois de assumir após decisão de corte de gastos na grave crise econômica no começo dos anos 2000.

"Não gosto do exemplo da Venezuela pois ali é um fracasso", disse seco, visivelmente contrariado ao responder sobre exemplos latino-americano de combate à pobreza.

Clique aqui e escute (em espanhol) a íntegra da entrevista.

Já para o escritor cubano Carlos Alberto Montaer, apresentei reportagens recentes de Opera Mundi, que mostram que, segundo Banco Mundial,"Cuba tem o melhor sistema educativo de América Latina e Caribe" e que "Cuba é o melhor país da América Latina para ser mãe".

"Tenho dúvidas se essas informações são verdadeiras. Nenhuma universidade cubana aparece nas primeiras 200 posições em rakings de ensino. Sem liberdade e produção de riqueza, para mim Cuba tem o pior sistema do mundo", disse rebatendo minhas perguntas. Clique aqui e escute (em espanhol) a entrevista na íntegra

Após encerrar a série de entrevistas na área de bastidores, dois funcionários da limpeza - vale aqui a nota, contando comigo, éramos os únicos negros que vi no evento - vieram me procurar. "Amigo, quem são esses senhores que você tava conversando? Os caras chegaram de helicóptero e equipe de segurança..."

Expliquei que eram ex-candidatos à presidência de EUA e Argentina. "Nunca pensei que estaria tão perto de gente tão importante. Valeu, irmão", disse um deles, despedindo-se apressado sem me dar tempo de perguntar nome e idade.

Mas a cereja do bolo no fórum liberal ficou para o final. Percebi uma aglomeração de pessoas. "O homem chegou", gritou um dos organizadores. Era Danilo Gentili.

O apresentador do SBT foi homenageado com o "Prêmio Liberdade", segundo a organização do evento, "pelo ótimo serviço de defesa dos direitos individuais e de defesa da liberdade de imprensa".

"Legal a ideia de Opera Mundi da reportagem de 'estranho no ninho', mas ai já é demais", pensei.

Preferi partir sem ver a entrega do prêmio.

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