quarta-feira, 3 de setembro de 2014

EM DEBATE NA TV, DILMA ASSUME O CENTRO DO RINGUE



Os candidatos (da esq. para dir.) Dilma Rousseff, Eduardo Jorge, Aécio Neves e Marina Silva (Foto: EFE/Página/12)
Dilma Rousseff questionou o programa econômico de sua principal adversária: ela lembrou, encarando Marina Silva, que no seu governo e no de Lula a prioridade foi lutar contra a pobreza e duvidou de que isto se possa fazer restaurando as políticas neoliberais.

Por Darío Pignotti, do jornal argentino Página/12, de Brasília – matéria reproduzida da edição de ontem, dia 2

A pouco mais de um mês das eleições, Dilma Rousseff recuperou o centro do ringue. Afônica, a presidenta e candidata à reeleição tomou a iniciativa durante um debate televisionado ontem (segunda-feira), quando insistiu na defesa da Petrobras e questionou o programa de sua principal adversária, Marina Silva, a ambientalista que nas últimas pesquisas se projeta como favorita num eventual segundo turno, a ser disputado em 26 de outubro. “Candidata Marina, em seu programa de governo de 242 páginas você dedicou uma linha ao petróleo do pré-sal (águas ultraprofundas)”, questionou Dilma, com traje vermelho, fixando os olhos em sua adversária, com um vestido branco e o cabelo invariavelmente preso (em coque). “Marina, por que tem esse desprezo diante dessa riqueza tão importante... e tão invejada em todo o mundo? O petróleo do pré-sal tem que ser explorado para financiar a educação, a saúde, são recursos de 1 trilhão de reais (quase 500 bilhões de dólares), não podemos deixá-los de lado.”

As reservas, de cerca de 50 bilhões de barris alojadas nas jazidas da área conhecida como pré-sal, foram descobertas a partir de 2007, durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no seu primeiro governo havia alcançado a autossuficiência em petróleo. Posteriormente, durante a gestão de Rousseff foi aprovada uma lei complementar que destina à educação e à saúde os royalties cobrados pela exploração petrolífera. A mandatária lembrou, encarando sua adversária, que no seu governo e no de Lula a prioridade foi lutar contra a pobreza e duvidou de que isto se possa fazer restaurando as políticas neoliberais.

Dilma e o Partido dos Trabalhadores (PT) escolheram a defesa das políticas sociais e em particular a energética, que supôs a renacionalização da Petrobras, como um dos argumentos para refutar a ascendente Marina Silva e seu recente aliado, o mercado.

Banqueiros e operadores da Bolsa de Valores de São Paulo expressam, sem meias palavras, sua oposição a Dilma, a quem questionam sua política econômica, e especialmente haver restituído poderes à Petrobras a partir da reforma da legislação energética de 2010, último ano da gestão lulista.

Nesta semana, como na anterior, subiram as ações da Petrobras e outras empresas estatais, em paralelo com o crescimento de Marina nas pesquisas. Na última, publicada no sábado pelo instituto Datafolha, a representante do Partido Socialista Brasileiro aparece com 34% das intenções de voto para o primeiro turno, em 5 de outubro, igualando com o percentual de Dilma. No segundo turno, em 26 de outubro, dado como possível por várias empresas de pesquisa, Marina, cujo nome só foi lançado em 20 de agosto, seria eleita presidenta com 50%, frente a 40% da atual chefa de Estado.

Ex-ministra do Meio Ambiente e filiada ao PT durante 29 anos, Marina Silva ingressou na disputa presidencial uma semana depois da morte, num acidente aéreo, do então candidato do PSB Eduardo Campos.

Continua em espanhol:

El 13 de agosto, día de la tragedia, Campos sumaba el 9 por ciento de las intenciones de voto, Dilma estaba en la banda del 38 por ciento y Aecio Neves, del Partido de la Socialdemocracia Brasileña, contaba con el 22 por ciento. La irrupción del huracán (do furacão) Marina, también bendecida (abençoada) por las empresas periodísticas (jornalísticas) macizamente antidilmistas, enterró las esperanzas del referente (do representante) más orgánico de las derechas, Aecio Neves, heredero (herdeiro) del ex gobernante Fernando Henrique Cardoso, quien retrocedió al 15 por ciento – Cardoso finge que aún apoya a Neves, pero todos saben que abandonó a su muchacho (seu rapaz) para operar a favor de Marina–.

Paralelamente, el efecto Marina acabó con el favoritismo de Dilma, que ha mostrado una tendencia a la baja en todos los sondeos, aunque poco pronunciada, pero necesita revertir la sangría si pretende mantener su competitividad.

Por eso la nueva estrategia de la presidenta, puesta en evidencia ayer (ontem, na segunda-feira) en los estudios del Canal SBT de San Pablo, fue asumir la iniciativa en el duelo contra Marina, quien no perdió su serenidad zen, pero fue evasiva en las respuestas sobre cómo conciliar menos producción petrolera con promesas de recursos para escuelas y hospitales.

Insistió en la promesa de inaugurar la era de “una nueva política”, más allá de los partidos, a los que considera en parte agotados (esgotados), al igual que las ideologías: “La izquierda es a veces tan dogmática como la derecha”.

Habrá que aguardar las nuevas consultas de opinión pública para saber quién salió victoriosa en el combate de ayer (de ontem, segunda-feira).

Los asesores de imagen consideran que, al cuestionar de frente a Marina, Dilma empleó una táctica arriesgada (arriscada), pues su adversaria podría victimizarse y ganar más simpatía del gran público. Desde el PT responden que la única forma de frenar el alza (de frear a subida) de Marina es demostrando que su retórica eco-religiosa no pasa de una gelatina que se deforma hacia la derecha (para a direita, rumo à direita).

Algo de esto se verificó a lo largo de más de 90 minutos de debate en los que sus respuestas fueron genéricas, salvo cuando argumentó con claridad (com clareza) a favor de las premisas económicas del gobierno de Cardoso y asumió el compromiso de sancionar una ley de independencia del Banco Central.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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