quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CRIMES DA DITADURA DE PINOCHET: O PACTO DE SILÊNCIO PERSISTE



“Ainda temos tarefas pendentes em matéria de verdade, justiça e reparação”, disse Bachelet.
Bachelet pediu aos militares que entreguem informação: são muitas as vozes que pedem há anos ao exército chileno que aporte informação relevante para avançar na Justiça e na reconciliação. Chegando mais um novo 11 de setembro.

Por Christian Palma, de Santiago – do jornal argentino Página/12, edição de 09/09/2014

Na quinta-feira (hoje) transcorre um novo 11 de setembro, talvez a data mais nefasta na história moderna do Chile. Neste dia, há 41 anos, os militares perpetraram um golpe de Estado que terminou com o presidente Salvador Allende morto no interior de um bombardeado Palácio de La Moneda e o país entrou num processo onde os direitos humanos foram apagados por meio de torturas, desaparecimentos e mortes. Com os anos, a verdade tem aparecido a conta-gotas e são muito poucos os oficiais presos por sua participação na barbárie. Dos prisioneiros desaparecidos que ainda não foram localizados se sabe muito pouco, tanto assim que são muitas as vozes que pedem já faz anos ao exército que entregue informação para avançar na justiça e reconciliação e terminar com o denominado “pacto de silêncio”.

Nesta linha, a presidenta Michelle Bachelet, que participou na segunda-feira, dia 8, da inauguração do memorial dos detidos-desaparecidos e executados políticos da Agrupação Nacional dos Empregados “Fiscales” (ANEF – dos funcionários públicos chilenos), instou aos que têm “informação relevante” sobre casos de violações aos direitos humanos a entregá-la. Num ato em frente ao edifício Tucapel Jiménez (dirigente da ANEF assassinado na ditadura), a médica socialista (Bachelet é do Partido Socialista) disse que “ainda temos tarefas pendentes em matéria de verdade, justiça e reparação. Passaram-se mais de 40 anos, cada dia vemos novas condenações, avançamos, é certo, porém não no ritmo que a sociedade e os familiares das vítimas nos exigem”.

Bachelet acrescentou que “necessitamos que se faça justiça, necessitamos que essa justiça seja rápida, e necessitamos para que isso seja possível que os que têm informação relevante, sejam civis ou militares, a entreguem”. Neste sentido, citou o presidente da Corte Suprema, Sergio Muñoz, ao assumir a coordenação nacional das causas dos Direitos Humanos. “Daqui a 40 anos mais a sociedade nos vai pedir contas do que fizemos, e eu acrescentaria, e do que não fizemos também.”

Disse ademais que “é o momento de por fim ao silêncio e à impunidade, é o momento de nos irmanarmos na verdade, pelo Chile, por seus filhos, suas filhas, netos e netas, pelo futuro desta pátria nossa, dos homens e mulheres que hoje rememoramos, e dignificaram e serviram com tanto amor”.

Em seguida, Bachelet pediu aos tribunais de Justiça mais celeridade ao investigar as violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar e instou a “por fim ao silêncio”, dirigindo-se aos que tenham informação sobre o paradeiro de detidos-desaparecidos.

Continua em espanhol:

Las palabras de la presidenta llegan unos días después de una entrevista dada por el comandante en jefe del ejército, Humberto Oviedo, quien negó que exista “un pacto de silencio” institucional para ocultar información sobre el paradero de detenidos-desaparecidos.

“Yo puedo dar fe de que en el ejército que me ha tocado comandar hoy día no existe ese pacto de silencio”, declaró Oviedo, subrayando que la institución ha colaborado con la Justicia “para entregar la información que esté disponible”.

El pasado domingo, la semana en la que Chile conmemora el 11 de septiembre, la Agrupación de Familiares de Detenidos-Desaparecidos (AFDD) marchó en memoria de las víctimas, y exigió el fin de la impunidad y del “pacto de silencio” que a su juicio (que na sua opinião) existe en las fuerzas armadas para no facilitar información o (ou) detalles que ayuden a dar con el paradero de las personas aún desaparecidas.

En respuesta a ello (a isso), Oviedo destacó que “ha sido sistemática la necesidad de actuar con las autoridades de justicia para entregar la información que esté disponible en el ejército. Distinto (Diferente) es con aquellas personas que están en condición de retiro (aposentadas, reformadas) que, por efectos de su defensa y conforme a la ley se los permita, puedan entregar o no (ou não) los testimonios que ellos estimen convenientes... Pero eso no es un pacto que tenga la institución y menos con ellos, sería irresponsable y además que no se podría”, agregó.

La dictadura de Pinochet dejó 3200 muertos y más de 38.000 detenidos y torturados, según datos oficiales. Actualmente unos 60 militares cumplen condenas (condenações) por violaciones a los derechos humanos durante la dictadura.

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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