segunda-feira, 22 de setembro de 2014

BOLÍVIA: A LIDERANÇA NACIONAL DE EVO É INQUESTIONÁVEL



(Foto: Nodal)
Entrevista com Martín Sivak, jornalista, sociólogo e biógrafo do presidente da Bolívia: o país atravessa um período ininterrupto de desenvolvimento econômico como nunca em sua história, um fator importante na hora de avaliar a gestão do mandatário, numa situação amplamente favorável para ganhar sua segunda reeleição em outubro, diz o autor de Jefazo.

Por Mercedes López San Miguel, no jornal argentino Página/12, edição de ontem, dia 21

Na Bolívia poucos duvidam de que Evo Morales será eleito pela terceira vez presidente no próximo dia 12 de outubro, segundo apontam as sondagens de opinião. Desde sua chegada ao Palácio Quemado, em 2005, o país andino passa por um período ininterrupto de desenvolvimento econômico como nunca em sua história, um fator importante na hora de avaliar a gestão do mandatário, assinala em entrevista a Página/12 Martín Sivak, sociólogo e autor de Jefazo (seria em tradução literal Chefaço, Chefão, Grande Chefe). Sivak tem conversado com Morales em reiteradas oportunidades ao longo de sua presidência e também antes, quando era o combativo líder dos cocaleiros.

No acompanhamento que Sivak fez da ascensão de Evo Morales, a quem descreve como um homem hiperativo, o autor pôde constatar que cresceu o interesse do político pela gestão e pela economia. “Muitas das visões caricaturais sobre o processo boliviano diriam que como Evo é um indígena tem o apoio incondicional das maiorias bolivianas, mas não é assim. Sem esta situação de tanto bem-estar econômico não se explicam os altos níveis de popularidade. É uma combinação de políticas de governo, como a nacionalização dos hidrocarburos (gás e petróleo), que as empresas paguem mais imposto, que os preços dos commodities bolivianos tenham melhorado, a diversificação da economia, a melhor administração dos recursos e a maior presença do Estado. E também a busca do equilíbrio fiscal e o déficit baixo.” Em razão de tais medidas, baixaram a pobreza, o desemprego e a inflação. Sivak acrescenta que o consumo cresceu como nunca e caiu a taxa de desnutrição. 
“Se consome cinco vezes mais leite que antes da presidência de Morales. Alguns especialistas dizem que a fisionomia das pessoas com a idade entre 20 e 30 anos mudou em La Paz.”
“Se consome cinco vezes mais leite do que antes da presidência de Morales”, aponta Sivak. (Foto: Sandra Cartasso/Página/12)
Há os que criticam que um governo que se assume progressista e radical em aspectos como a nacionalização dos recursos não avance em assuntos como a descriminalização das drogas. Sivak destaca um aspecto chave: que a política antidroga deixou de depender dos Estados Unidos. “Durante 20 anos a política antidroga era definida entre o embaixador norte-americano e o ministro do Interior, me contaram dois ex-presidentes bolivianos. Para designar um chefe antidrogas se conversava com a Embaixada dos EUA. Fui a Chapare no ano de 1995 e me impressionou ver gente falando em inglês, eram os distintos contratados da DEA.” Sivak, ainda que reconheça que não se avançou na discussão do consumo, sublinha que agora são os próprios sindicatos que controlam para que não haja uma expansão dos cultivos. “A explosão narco que muitos vaticinavam não existiu e o controle dos sindicatos é novo.”

Continua em espanhol:

En cuanto a las cuestiones de género hay un camino con contornos difusos. Cuando asumió la segunda presidencia, Morales anunció un gabinete conformado mitad por hombres y mitad por mujeres, pero después esto no se cumplió. El Palacio Quemado es un entorno de hombres, y las carteras más importantes no la ocupan mujeres. Es recordada su polémica frase acerca del consumo de pollo (frango) “cargado de hormonas femeninas” y la tendencia hacia la homosexualidad. El presidente supo (soube) disculparse con la comunidad gay.

En menos de un mes habrá elecciones. Si se celebraran hoy (Se as eleições fossem hoje), el 59 por ciento de los electores votarían por Morales, del Movimiento al Socialismo (MAS). El 17 por ciento lo haría por el postulante de Unidad Democrática (UD), Samuel Doria Medina. Mientras (Enquanto que) el tercer lugar, con el 4 por ciento, pertenecería a Jorge “Tuto” Quiroga, del Partido Demócrata Cristiano (PDC), quien fue vicepresidente del ex dictador Hugo Banzer, elegido urnas de por medio en 1997. En cuarto lugar, con el 3 por ciento, quedaría Juan del Granado, del Movimiento Sin Miedo (MSM) y quien fuera aliado del MAS hasta 2009. Quinto y último, con menos del uno por ciento, quedaría el candidato indígena Fernando Vargas Mosúa, del Partido Verde de Bolivia (PVB). El 17 por ciento restante todavía (ainda) no se decidió.

Sivak compara la elección de 2009 con la actual. “Antes la apuesta de la oposición era la de un antievitismo visceral y antichavismo, pensando que Bolivia iba camino a Venezuela. Pero no funcionó: Evo sacó el 64 por ciento de los votos y fue derrotada la derecha cruceña (de Santa Cruz, na região chamada meia-lua), furiosamente anti Evo, que tiene desprecio de clase. Ahora la oposición ensaya candidaturas que no son tan duras – Doria Medina viene del MIR, un partido de izquierda que terminó gobernando con Banzer – y Juan del Granado es un ex aliado de Evo. Pero el único liderazgo nacional es el de Evo, el resto son regionales.”

Con todo, Sivak cree que es un error que Morales se postule a un tercer gobierno, y critica que no haya un sucesor en el Movimiento al Socialismo. “La personalización del proceso en él era inevitable, y en un primer momento fue una fortaleza. Después, hubo espacio para despersonalizar el proceso, pero no lo hizo. Uno de los problemas que tiene el MAS, que es un grupo heterogéneo de sindicatos, campesinos que llegan al Estado, es que no es una organización política. Esto contribuye a la centralización del poder en Evo. En un contexto de altos niveles de aprobación, una oposición fragmentada y bonanza económica prevalecen las condiciones para buscar una forma de sucesión.”

Tradução (parcial): Jadson Oliveira

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