domingo, 24 de agosto de 2014

“ACREDITEI NA PACIFICAÇÃO, MAS É DE MENTIRA”, DIZ MÃE DE MOTOTAXISTA MORTO EM FAVELA DO RIO DE JANEIRO




Denize e Caio Moraes da Silva | Crédito: Arquivo pessoal
Denize Moraes da Silva diz ter desacreditado no modelo das UPPs após a morte do filho Caio Moraes da Silva (Foto: BBB Brasil)

"Com o tráfico era difícil, mas hoje temos medo da polícia. Medo e antipatia. Tem muito morador inocente morrendo em becos, vielas, eles matam mesmo".

Por Jefferson Puff - da BBC Brasil no Rio de Janeiro - de 22/08/2014

"Quando a morte bate na porta da sua casa, você começa a ver as coisas de uma maneira muito diferente. No começo eu acreditei, quando se falava em UPP com objetivos sociais, colocando esportes, trazendo iniciativas para aproximar a comunidade, mas não foi isso que aconteceu. É uma pacificação de mentira. A gente não está na África nem em Israel, mas vivemos uma guerra também, e aqui no Alemão não se usa bala de borracha e não tem primeira abordagem. Aqui você morre logo."

Denize Moraes da Silva, de 49 anos, nasceu e cresceu no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

A comerciante perdeu em 27 de maio o filho Caio Moraes da Silva, aos 20 anos, atingido por uma bala no peito quando tentava sair de um tumulto gerado por uma manifestação na favela em que trabalhava como mototaxista. A investigação ainda está em curso, mas Denize acusa a polícia e diz ter testemunhas. Para ela, o clima nas UPPs está ficando cada vez mais tenso.

"Para mim não restam dúvidas de que foi a polícia. Há testemunhas, até mostraram para o meu cunhado o policial que atirou. Foi um tiro no tórax, com a clara intenção de matar. E meu filho era trabalhador, sempre foi. Nunca tinha se envolvido com nada", afirma.

Consultada pela BBC Brasil, a Delegacia de Homicídios (DH), que investiga o caso, diz que o inquérito ainda está em andamento. "Foi realizada perícia de local. Familiares e testemunhas foram ouvidos, além dos policiais militares. As armas foram apreendidas e encaminhadas para confronto balístico, e a delegacia aguarda o resultado dos laudos da perícia", informou a DH em nota. 

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