terça-feira, 29 de julho de 2014

MADURO: “SEM O SOCIALISMO NÃO É SUSTENTÁVEL A SOBERANIA E INDEPENDÊNCIA DA VENEZUELA”




Maduro saúda os delegados enquanto é aclamado como presidente do PSUV em seu III Congresso: “O socialismo é democracia, a democracia só pode existir no socialismo” (Foto: Web/Aporrea)

O presidente da República e do PSUV, Nicolás Maduro, apresentou teses políticas e propostas no III Congresso do partido

Traduzido do portal venezuelano Aporrea.org, de 27/07/2014 (o título acima é deste blog)

O presidente da República, Nicolás Maduro, se dirigiu aos delegados durante a instalação do III Congresso do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), para apresentar um conjunto de teses, propostas políticas e de tarefas. O ato, no qual foi o orador principal, foi realizado no sábado, dia 26, em espaços do Teatro Teresa Carreño, em Caracas, perante o conjunto dos delegados eleitos e natos do PSUV.

Na abertura do evento, os delegados decidiram, por unanimidade, designar o chefe de Governo como presidente do PSUV. 

Em sua mensagem se mostrou a favor do debate e disse que não fugia da crítica, mas não se referiu ao fato de que alguns setores do PSUV se queixaram da falta de espaço para a crítica e o debate dentro do partido. Disse que “esta revolução, graças a Chávez, nasceu alimentando a crítica, a opinião do povo; este é o partido da crítica e da verdade”, pelo que afirmou que “a ordem neste congresso é debate livre, construtivo, ação criadora e máxima lealdade à Revolução Bolivariana”.

Assinalou que este evento máximo do partido vermelho teria um resultado “inesquecível para o que vai ser o rumo da pátria”.

Admitiu, em termos gerais, mas sem especificar, que nem tudo é perfeito dentro do partido e que não funciona como deveria, mas que no PSUV “há uma força criadora para decidir o que tenha que decidir”, pelo que se mostrou seguro que do Congresso sairiam fortalecidos. Aproveitou para conclamar a militância, em todos os níveis, a lograr novos e maiores níveis de eficácia.

Enquanto se manifestam algumas queixas em setores da militância, sobre a suposta confusão partido-governo-Estado, para Nicolás Maduro “não pode haver dissociação no PSUV (…) Não pode andar o partido por um lado e o governo por outro”.

Chamou a atenção sobre o tema moral e ético, destacando a necessidade da luta contra a subcultura da corrupção e para combater a contrarrevolução.

Considerou que “o PSUV tem que ser capaz de oferecer uma concepção clara do socialismo como um caminho para alcançar a suprema felicidade” e expressou que sem socialismo não é sustentável a soberania e a independência do país. Mas também marcou distância a respeito do que denominou como o "esquerdismo agonizante" e o "reformismo entreguista", localizando-se assim numa posição de centro.

Propostas para o debate no III Congresso

O presidente Maduro, e agora presidente do PSUV, deu a conhecer suas propostas para o debate no III Congresso. Expôs a fórmula do 1+5+8, com propostas que apontou rumo ao cumprimento do compromisso histórico do instrumento político fundado pelo Comandante Hugo Chávez Frías.
Daniel Ortega, Maduro e Evo Morales: líderes da Pátria Grande (América Latina e Caribe) e o povo venezuelano homenagearam ontem (segunda-feira, dia 28), em Caracas, os 60 anos de nascimento de Hugo Chávez (Foto: AVN)
O ponto número 1 é o cumprimento do Plano da Pátria, seguido de 5 teses relacionadas com este fim:

A primeira tese postula que “sem o socialismo não é sustentável a independência e a soberania na Venezuela”.

A segunda tese propõe a “revolução econômica socialista produtiva”, já que “a sustentabilidade da revolução depende do desenvolvimento da tarefa de constituir uma economia produtiva pela via da transição ao socialismo”. Em relação a esta tese, Maduro fez finca-pé no papel fundamental da classe trabalhadora como motor da revolução.

A terceira tese propõe a democracia verdadeira: “o socialismo é democracia, a democracia só pode existir no socialismo. Vamos para a consolidação do projeto democrático com o povo exercendo o poder político, com a construção de um novo Estado, de um novo tipo de governo”.

O quarto postulado se refere aos valores do novo modelo social: rumo “à revolução espiritual, à revolução do amor”, para cumprir a meta de Chávez duma pátria totalmente socialista em 2019. Maduro deu muita importância à relação entre a revolução e a espiritualidade.

A quinta tese é internacional: “a luta pelo equilíbro do mundo multicêntrico e multipolar, e por uma América Latina e Caribe que consolide sua união e sua nova independência”.

Em torno a tudo isto propôs 8 tarefas:
  1. Reconhecer o Comandante Supremo da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, como líder eterno e presidente fundador do Partido Socialista Unido da Venezuela.
  2. Assumir a transformação do estado burguês como uma das tarefas fundamentais do partido e da relação partido-Governo para materializar o Estado democrático, social, de direito e de justiça, e consolidar a etapa de construção do Estado bolivariano socialista. Pediu de maneira especial a incorporação das UBCh (Unidades de Batalha Bolívar-Chávez) e demais estruturas partidárias a esta tarefa.
  3. Abordar, de maneira inadiável, “o desenvolvimento definitivo do sistema de formação socialista da militância, dos dirigentes e do povo venezuelano (…) Com formação somos tudo, sem formação nos falta visão, profundidade, desperdiçamos a potencialidade que tem nosso país”.
  4. Imediata modificação dos Estatutos do partido a fim de aperfeiçoar sua estrutura organizativa, para servir ao povo e incorporar todas as novas estruturas de base “e dar poder às UBCh, aos círculos do Poder Popular, às redes”.
  5. “Aprovar o cronograma que se elaborou para levar a cabo todas as ações políticas que no lapso de seis meses, de 31 de julho de 2014 até 28 de janeiro de 2015, permitam a reorganização, renovação e legitimação de todos os órgãos de direção do PSUV, das UBCh até a direção nacional”.
  6. Assumir a partir da prática revolucionária o caráter cívico-militar da revolução bolivariana, “legado essencial do Comandante Hugo Chávez”.
  7. “…Reafirmar nosso caráter anticapitalista e defender nossa convicção socialista como alternativa frente à insaciável voracidade do imperialismo”.
  8. “…Ratificar e reafirmar nosso compromisso antiimperialista contra o intervencionismo dos “factores” (poderes de fato, poderes que se mantêm nas sombras, a exemplo das grandes empresas) na vida dos povos”. Neste ponto Maduro ressaltou a solidariedade do povo venezuelano e do PSUV ao povo da Palestina “em sua luta pelo direito a existir como Estado. Basta de crimes contra o povo palestino”.
Maduro também propôs atualizar o ideário da “árvore das três raízes” e instalar o sistema de escolas para formação de dirigentes revolucionários, levando em conta a proposta dos delegados de considerar os aportes de Hugo Chávez como uma quarta raiz do pensamento bolivariano e de sua visão revolucionária, para adotar a fórmula EBRCH - Ezequiel (Zamora), (Simón) Bolívar, Robinson (Simón Rodríguez) e (Hugo) Chávez -, para incluir o líder da Revolução Bolivariana na doutrina conhecida como “a árvore das três raízes” e agora como “das quatro raízes”.

E já nomeado presidente do PSUV, assinalou que se propôs construir uma direção coletiva do Governo Nacional e dentro da direção nacional do partido, assim como um sistema de alianças políticas no Grande Polo Patriótico e fora dele para lograr as metas de 2019.

As propostas do presidente Maduro tiveram grande acolhida entre os delegados, ainda que o desafio principal esteja na correspondência entre os conceitos amplamente aceitos pela base chavista e a prática política concreta de governo, determinada pela adoção de medidas consequentes com o que foi formulado, tanto nos tempos recentes como a partir deste momento.

Tradução: Jadson Oliveira

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