sábado, 12 de julho de 2014

GUATEMALA: 60 ANOS DO GOLPE DA CIA



(Foto: portal Nodal)
O livro “Guatemala: História de uma década”, de Gustavo Lapola, analisa a revolução de 1944-1954 no país centro-americano como um valioso processo que, por meio da reforma agrária e de incentivos à industrialização, enfrentou as “oligarquias tradicionais, parasitárias e racistas” a serviço do imperialismo estadunidense

Por Leonardo Wexell Severo, no sítio web do jornal Brasil de Fato, de 03/07/2014

“A memória individual e coletiva dos guatemaltecos é demasiado curta; a violência política e os meios de ideologização institucional e de comunicação apontam até a sua destruição, bem como da subjetividade, para torná-los altamente vulneráveis ao consumo compulsivo e às políticas do capital financeiro que se ocultam por trás da chamada globalização“.

Com este alerta, o livro “Guatemala: História de uma década”, de Gustavo Lapola (Editorial Estudiantil Fênix, 2006), analisa a revolução de 1944-1954 no país centro-americano como um valioso processo que, por meio da reforma agrária e de incentivos à industrialização, enfrentou as “oligarquias tradicionais, parasitárias e racistas” a serviço do imperialismo estadunidense.

A reflexão é mais do que oportuna para lembrar o 27 de junho, data em que a Guatemala recorda os 60 anos do golpe de Estado. Naquele dia, para defender os interesses da United Fruit Company (UFCO), um exército de mercenários treinado e armado pelos EUA derrubou o presidente constitucional, Jacobo Árbenz, inaugurando um ciclo de terrorismo de Estado com mais de 250 mil mortos e desaparecidos.

Reunindo diversos autores, o livro traz uma importante denúncia sobre a relação incestuosa entre o governo estadunidense e as corporações que sangravam o país maia como a UFCO, a International Railway of Central America (IRCA) e a Empresa Elétrica de Guatemala, Sociedade Anônima (EEGSA) – subsidiária da Electric Bond and Share.

Denunciando a campanha difamatória dos meios de difusão, “prostituídos e convertidos em instrumento de mentira e calúnia” para justificar a invasão imperialista, o livro reproduz o discurso do chanceler guatemalteco Guillermo Toriello Garrido, em que demonstrava as raízes dos ataques. “As respostas são simples e evidentes: o plano de libertação nacional que está realizando com firmeza meu governo teve de afetar os privilégios das empresas estrangeiras que estavam freando o progresso e o desenvolvimento econômico do país.

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