quarta-feira, 4 de junho de 2014

VENEZUELA: EMBAIXADOR DENUNCIA PLANO PARA ASSASSINAR MADURO



Segundo o embaixador da Venezuela no Brasil, Diego Molero, e-mails trocados entre líderes oposicionistas venezuelanos e autoridades dos EUA revelam plano.

Por Najla Passos, no portal Carta Maior, de 03/06/2014

Brasília - E-mails trocados entre líderes oposicionistas venezuelanos envolvendo autoridades de estado norte-americanas, interceptados com autorização judicial em investigação conduzida pelo Ministério Público da Venezuela, revelam a existência de um plano em curso para assassinar o presidente Nicolás Maduro e, assim, colocar fim ao chavismo que, desde a vitória do ex-presidente Hugo Chaves, em 1998, já venceu 18 das 19 eleições realizadas no país, em todos os níveis de governo.

Quem afirma é o embaixador da Venezuela no Brasil, Diego Molero, que repetiu em Brasília a denúncia que autoridades venezuelanas buscam agora divulgar pelo mundo, na tentativa de furar o bloqueio da mídia conservadora internacional que, segundo ele, atua como coautora do golpe, a serviço dos Estados Unidos.

“Como eles não conseguiram derrotar Maduro com as estratégias anteriores de tentar desestabilizar o país por meio de protestos violentos e do desabastecimento de itens básico de consumo, agora partiram para uma solução mais drástica: assassinar o presidente”, denuncia o embaixador.

De acordo com ele, o plano de assassinato do presidente configura a terceira etapa do que classifica como “golpe suave em curso na Venezuela”, deflagrada no dia 12 de fevereiro, com o primeiro da série de protestos violentos que já deixaram 42 mortos, 873 feridos e prejuízos materiais estimados em US$ 15 bilhões.

Os e-mails não falam textualmente em assassinato do presidente. Mas dão indícios fortes de que seja essa, de fato, a estratégia. Além de que não deixam dúvidas da ingerência norte-americana na articulação do golpe para desestabilizar o governo da Venezuela.

Exemplo é a correspondência eletrônica enviada em 23/5 pela líder oposicionista de ultradireita María Corina Machado, um das lideranças que convocou os protestos por “la salida” de Maduro, ao ex-diplomata venezuelano Diego Arria, ex-ministro do governo de Andrés Perez e forte referência da direita venezuelana.

“Não me aguento mais nesta espera. É preciso limpar essa porcaria, começando pela cabeça, aproveitando o clima mundial com Ucrânia e agora Tailândia. Quanto antes melhor”, diz um trecho do e-mail.   Em outro, a líder oposicionista é ainda mais clara: “Chegou a hora de acumular esforços, fazer as chamadas correspondentes e obter o financiamento para aniquilar Maduro e o demais cairá sozinho”.

Em outro e-mail enviado ao ex-deputado oposicionista Gustavo Tarre, do partido Copei, também em 23/5, María Corina Machado afirma que o funcionário do Departamento de Estado norte-americano e embaixador dos Estados Unidos na Colômbia, Kevin Whitaker, já “reafirmou seu apoio” à conspiração e ainda “indicou novos passos”.
 

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