segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEGUNDO TURNO NA COLÔMBIA: UM ENCERRAMENTO DE CAMPANHA COM OS PÉS NA TERRA



Santos pediu desculpas aos camponeses por ter negado a força da greve nacional agrária de 2013 (Foto: EFE/Página/12)
Santos e Zuluaga fizeram promessas de melhoras na área rural: o mandatário e o uribista encerraram suas campanhas para a votação do domingo com uma mensagem ao campesinato. Santos prometeu subsídios para a compra de fertilizantes e mais investimento; Zuluaga disse que reduzirá os custos e melhorará a infraestrutura.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 9

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o opositor Oscar Iván Zuluaga encerraram ontem suas campanhas para a eleição, em segundo turno, do próximo domingo. Ambos estiveram no departamento (estado) Boyacá, no centro do país, onde expressaram ante um grupo de camponeses suas promessas de melhorias para a área rural no caso de vitória. Os produtores agropecuários reclamam melhores condições para sua atividade e realizaram duas grandes greves massivas, uma entre agosto e setembro de 2013, e outra entre abril e maio deste ano. Santos, que busca se reeleger, esteve em Sogamoso, enquanto o direitista Zuluaga visitou Tunja, a capital de Boyacá. Os dois candidatos vestiram “la ruana”, um poncho típico das regiões frias do país.

Santos, candidato pela coalizão Unidade Nacional, pediu desculpas aos camponeses por ter negado a força da greve nacional agrária de 2013, que paralisou grande parte das estradas do país. “A tal paralisação nacional agrária não existe. Me equivoquei ao pronunciar estas palavras, quis dizer outra coisa diferente do que realmente disse e eu por isso pedi desculpas e volto a pedir desculpas, eu me equivoquei”, manifestou o chefe de Estado.

O mandatário prometeu subsídios para a compra de fertilizantes e mais investimentos no campo, que “esteve abandonado por séculos”, reconheceu, ainda que tenha assegurado que seu governo havia multiplicado o orçamento para o setor. Nesse sentido, anunciou que a cada unidade agrícola familiar será entregue um subsídio de 500.000 pesos (uns 265 dólares) para a compra de fertilizantes, um dos insumos que, segundo os camponeses, mais encarece os custos da produção.

Por seu lado, Zuluaga, o delfim do ex-presidente Álvaro Uribe pelo partido Centro Democrático, firmou um documento com promessas para o setor agrário. “O campo é o único caminho para se lograr a paz na Colômbia e será minha prioridade na proposta de governo, por isso lhes digo que a Casa de Nariño (sede do governo) será a casa de todos os camponeses colombianos”, afirmou o opositor. As promessas firmadas estão vinculadas à redução dos custos de produção, melhoras de infraestrutura, capacitação dos camponeses e impulso às associações de produtores. Além disso, o candidato uribista prometeu “recuperar o diálogo social” para que não volte a ocorrer “esse doloroso espetáculo que a Colômbia deu com as greves e os protestos” camponeses. De Boyacá, Zuluaga foi a Nariño, outro estado agrícola do sudoeste do país, enquanto que Santos se dirigiu a Rionegro, município próximo a Medellín.  

Continua em espanhol:

La campaña de la segunda vuelta (do segundo turno) estuvo marcada por las discusiones en torno del proceso de paz del gobierno con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), que el sábado anunciaron un nuevo cese del fuego unilateral entre hoy y el 30 de junio. El Ejército de Liberación Nacional (ELN) – que participó con las FARC en el cese del fuego de la primera vuelta (no cessar-foto do primeiro turno) – anunció ayer (ontem) que esta vez no silenciará sus fusiles, aunque prometió que no hará acciones contra el proceso electoral. El ELN no bajará sus armas, porque hacerlo de manera unilateral “es utilizado por las fuerzas armadas del Estado para sacar ventajas militares (para tirar vantagens militares)”.

Tres sondeos (sondagens, pesquisas) dieron ganador a Santos (43,4 a 38,5 por ciento de los votos según la firma Cifras y Conceptos, 41,9 a 37,7 por ciento según Datexco y 48,5 a 47,7 por ciento según Gallup); otra vaticinó el éxito de Zuluaga (49 a 41 por ciento, según Ipsos). Zuluaga ganó la primera vuelta con 29,25 por ciento contra 25,69 por ciento de Santos, con más de 60 por ciento de abstención.

Iván Marulanda, titular del proyecto “Preparémonos para la paz”, afirmó que un cambio de figura presidencial trabaría (uma mudança da figura presidencial travaria) las negociaciones con las FARC y el país regresaría al peor escenario de la confrontación. “Si el ganador de la elección es Santos, las negociaciones de La Habana entrarán en la recta final sin contratiempos y estaremos refrendando los acuerdos en pocos meses; esa otra etapa no será fácil, pero ya estaremos en el punto de no retorno”, aseguró el dirigente, que desde 2012 trabaja en busca de acuerdos para la Colombia del posconflicto. En cambio (Ao contrário), si gana el opositor, dijo Marulanda, el proceso se detendrá por completo mientras (enquanto) el nuevo gobierno revisa lo que se ha acordado hasta ahora en La Habana. “Luego se reanudarán las negociaciones en dos pistas (Depois as negociações serão retomadas em duas pistas): una, renegociando lo negociado, porque con seguridad muchas de las cosas acordadas (que no conocemos porque son confidenciales) son inaceptables para la extrema derecha que representa Zuluaga”, auguró (previu).

Tradução: Jadson Oliveira

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