quarta-feira, 11 de junho de 2014

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: “RESISTIR PARA AVANÇAR”


Maria da Conceição Tavares: "O fato é que o projeto em curso é o mais adequado à sociedade brasileira" (Foto: Carta Maior)

Em conversa com Carta Maior, Maria da Conceição Tavares adverte para o risco de soluções supostamente redentoras e faz uma exortação: ‘Resistir para avançar’.
Por Saul Leblon, no portal Carta Maior, postagem de hoje, dia 11
Cautelosa, quase reticente em falar  de  economia, ‘numa hora em que tem tanta gente falando bobagem’, Maria da Conceição Tavares, a decana dos economistas brasileiros, voz sempre ouvida com atenção quando o horizonte se anuvia, como agora, rejeita  as soluções miraculosas oferecidas  na praça para destravar os nós do crescimento brasileiro.

A campanha eleitoral antecipada na queda de braço em torno da Copa do Mundo  exacerbou a divisão do país em duas visões de futuro, diz a voz cautelosa.

Uma valoriza os avanços obtidos na construção da democracia social  nos últimos  doze anos.

Não considera  o caminho concluído, mas é o que está sendo construído.

A outra, majoritariamente abraçada pelo conservadorismo e seu martelete midiático, equipara o resultado desse  percurso  a uma montanha desordenada de escombros. Um Brasil aos cacos.

Propõe-se a saneá-lo de forma radical.

Em primeiro lugar,  esse ‘começar de novo’ retiraria  o país  das mãos do ‘populismo petista’, em outubro próximo.

Para entregá-lo em seguida a quem entende do ramo: os mercados e suas receitas de ‘contração expansiva’,  que combinam  arrocho salarial e fiscal  com fastígio dos fluxos de capital sem lei.

Na conversa com Carta Maior, Conceição  avança com cuidado, escolhendo as palavras ao transpor o limite que havia se imposto de não mexer nesse ambiente conflagrado.

‘A situação é muito delicada por conta do  encavalamento  de gargalos econômicos e  disputa eleitoral’, admite.

‘Mas o fato é que o projeto em curso é o mais adequado à sociedade brasileira’, afirma esticando  seu divisor no campo minado.

“Avanços sociais, emprego, salário e crédito para manter a atividade  – não para puxar, me entenda, mas para manter o nível de atividade’, desfia a economista enquanto delimita a sua trincheira de resistência.

“São doze anos de estirão por essa via, agora é manter, enquanto se avança no investimento em infraestrutura, que vai puxar o novo ciclo. É o que tem que ser feito. E está sendo feito’, enfatiza para demonstrar certo desalento  em seguida:

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