segunda-feira, 16 de junho de 2014

G77+CHINA: A APOSTA POR UM MUNDO MULTIPOLAR



O documento final do G-77 enfatizou a excessiva orientação pelo lucro que não respeita o planeta (Foto: Télam/Página/12)

Os presidentes latino-americanos concordaram sobre a necessidade de reformar a ordem global: Evo Morales, Raúl Castro, Nicolás Maduro, José Mujica e outros presidentes destacaram a crise gerada pelo neoliberalismo e questionaram o papel dos Estados Unidos. A declaração do encontro fixou a erradicação da pobreza como o objetivo central.

Por Sebastian Abrevaya, de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), no jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 16

“O neoliberalismo gerou uma crise econômica global que empurrou milhões de pessoas para a pobreza extrema. É hora de caminhar em outro sentido para construir uma ordem social mais justa”, afirmou o presidente de Cuba, Raúl Castro, um dos chefes de Estado que participaram ontem da jornada de encerramento da cúpula do G-77+China. A representação dos mandatários latino-americanos se completou com as palavras do venezuelano Nicolás Maduro, do uruguaio José “Pepe” Mujica, do salvadorenho Salvador Sánchez Cerén e do anfitrião, Evo Morales, os quais concordaram nas críticas ao neoliberalismo, aos Estados Unidos e na necessidade de estabelecer “uma nova ordem mundial para viver bem”, tal como assinala o lema da convocação.

Logo após compartilharem o Encontro Plurinacional dos Povos, na tarde do sábado, os presidentes latino-americanos voltaram a mostrar sua unidade no plenário do G-77+China, do qual participaram delegações de quatro continentes. “Esta aprovação da declaração é praticamente um relançamento do maior grupo das Nações Unidas, relançamento para que continue trabalhando com políticas de complementaridade e solidariedade, com muita ética, com valores”, assegurou Morales durante a reunião extraordinária convocada pelos 50 anos da fundação do grupo de países em desenvolvimento, que atualmente chegou aos 133 membros.

A Declaração de Santa Cruz, aprovada pelos participantes na Cúpula do G-77+China, estabelece a erradicação da pobreza como o objetivo central e condutor da agenda de desenvolvimento post 2015, que será motivo de discussão no próximo ano na assembleia geral das Nações Unidas. Entre seus 242 pontos se destacam o problema da desigualdade, os padrões de consumo e produção insustentáveis dos países desenvolvidos e a excessiva orientação pelo lucro que não respeita o planeta.

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El presidente de Bolivia aprovechó la ocasión para revalorizar a Fidel Castro –hermano del actual presidente cubano –, al calificarlo como “el hombre más solidario del mundo”. Raúl Castro, en su discurso, acusó a los Estados Unidos por “amenazar con acciones ilegales” a muchos de los pueblos representados en la cumbre y puntualmente trató el caso de Venezuela. “Es objeto de una campaña desestabilizadora basada en los principios de la guerra no convencional que alienta la subversión y la agitación interna”, aseguró, y reiteró que Cuba sufre desde hace décadas “atentados, provocaciones y un bloqueo injusto”.

Maduro planteó la necesidad de construir “una nueva humanidad” y aseguró que el G-77 es un instrumento para la creación de un mundo “multipolar, pluripolar y multicéntrico, sin imperios, sin hegemonismos, sin sistemas de dominación, ni de amenazas”. “Hay que retomar los proyectos del sur, el Banco del Sur para el desarrollo en condiciones justas de un nuevo orden económico internacional. Hay que retomar los proyectos culturales para la independencia cultural”, agregó en sintonía con las palabras de Mujica, que centró su discurso en la crítica a la “cultura de la acumulación y el despilfarro (e do desperdício)”.

“Si no cambia la cultura, no cambia nada (Se não muda a cultura, não muda nada). Tenemos que terminar con la teoría de la acumulación, propia de un capitalismo que invierte tantos recursos para socavar la vida del planeta”, sostuvo Mujica, en una intervención que significó una ruptura conceptual con el consumismo: “Otra humanidad es posible a partir de otros valores. Este enfrentamiento va mucho más allá de la fuerza material. Hemos visto construir las mejores hermosas utopías, los mejores sueños, y hemos visto que el peso sordo de las mercaderías en las aduanas (alfândegas) termina destrozando los mejores sueños de solidaridad que los hombres pudimos construir”, sentenció.

Por fuera de los presidentes latinoamericanos, la participación del vicepresidente de la Asamblea Popular China fue relevante para la cumbre. Chen Zhu pidió insistir en el principio de responsabilidad común respecto del cambio climático y promover la reforma del sistema financiero internacional.

Tradução: Jadson Oliveira

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