sábado, 28 de junho de 2014

BOLÍVIA INVERTE RELÓGIO, QUE PASSA A GIRAR À ESQUERDA PARA REPRESENTAR “MUDANÇA POLÍTICA”



"Relógio do Sul" gerou estranhamento entre as pessoas que passavam pela Praça Murillo (Foto: Agência EFE/Opera Mundi)
Governo esclarece que o objetivo do “relógio do sul” é conscientizar a população e valorizar a cultura andina

Por Opera Mundi – de São Paulo, de 25/06/2014

O governo boliviano inverteu o sentido do relógio que fica na fachada do Legislativo, fazendo com que ele gire no sentido “anti-horário”, à esquerda, para contar as horas. O objetivo da medida é representar as mudanças vivenciadas pelo país nos últimos oito anos, durante a gestão do presidente Evo Morales, quando houve uma revalorização da cultura andina.

O ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, e o presidente do Senado, Eugenio Rojas, que como Evo são indígenas aimaras, falaram nesta terça-feira (24/06) sobre a iniciativa, batizada de "relógios do Sul".

O objetivo, segundo eles, é conscientizar a população de que a Bolívia é uma nação do sul, por isso a forma de registrar o tempo nos relógios deve ser diferente, como acontece com o solstício e o equinócio.

A mudança foi realizada na meia-noite de sexta-feira (20/06), quando começou o inverno no hemisfério sul, e surpreendeu quem passava pela Praça Murillo, a principal de La Paz, onde estão os palácios do Congresso e da presidência.

"Não temos que complicar, simplesmente nos conscientizar que vivemos no sul. Não estamos no norte", disse Choquehuanca, que garantiu que a iniciativa, longe de pretender "causar algo a alguém", tem como objetivo revalorizar a cultura nacional.
Eugenio Rojas exibe um “relógio do sul” como os que foram entregues aos participantes do G-77 (Foto: Agência Efe/Opera Mundi)

"Quem disse que o relógio tem que girar desse lado sempre? Por que sempre temos que obedecer, por que não podemos ser criativos?", questionou o ministro boliviano.

Regalo boliviano

Choquehuanca revelou que na recente celebração da Cúpula dos países do G77 e a China, na Bolívia, as delegações receberam um relógio de mesa invertido em forma de mapa boliviano e que inclui o território litorâneo que o país perdeu na guerra contra o Chile de 1879.

O chanceler boliviano admitiu que a ideia não é absolutamente original porque ele ganhou um relógio de pulso com essas características em Londres, mas ressaltou que essa foi uma criação vinculada à identidade do sul.

Segundo o ministro, a iniciativa está no contexto de outros avanços do reconhecimento da cultura andina, como o uso da bandeira indígena whipala, hoje um símbolo nacional reconhecido na Constituição.

Choquehuanca também citou outros elementos da cultura local que hoje são defendidos pela Carta Magna do país, como a folha de coca, e as campanhas a favor da Madre Tierra, ou Pachamama, além da valorização da quinoa.

Para ele, é preciso uma mudança de mentalidade e o estímulo do funcionamento dos dois hemisférios do cérebro para entender "os relógios do sul".

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