sexta-feira, 9 de maio de 2014

VENEZUELA: DIÁLOGO E VIOLÊNCIA EM SEUS RESPECTIVOS LABIRINTOS (Parte 5/final)




A histórica mesa de diálogo entre chavistas e antichavistas: opositores golpistas de 2002 voltaram ao Palácio de Miraflores 12 anos depois (Foto: Internet)
O terrorismo midiático se internacionalizou, coligando 87 jornais da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, “P” de Prensa) e os cinco megamonopólios midiáticos do mundo contra a Venezuela, com sua “verdade única” de manipulação e falsidades.

Por Aram Aharonian, de 02/05/2014 (o artigo vai aqui por partes, traduzido do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe; esta é a última parte, as quatro primeiras foram postadas diariamente de 5 a 8/maio)

Um pouco de história recente

O partido minoritário Vontade Popular, com apoio de outros setores da ultradireita e financiamento externo, com uma cartelizada guerra midiática no país, na região e no mundo, pretendeu substituir o presidente legitimamente eleito com “la salida” (a saída) rumo a um “governo de transição” não eleito por ninguém, apenas dois meses depois que o bolivarianismo ganhara nas eleições em 76,42% das prefeituras, 256 municípios de 335. Nenhuma outra proposta, nenhum projeto.

“La salida” é promovida depois que o governo outorgara aos empresários 60 bilhões de dólares a taxa preferencial para importações indispensáveis, que eles souberam dissipar em importações fictícias, depois de estocagens massivas por comerciantes que criaram desabastecimentos estratégicos. A ofensiva foi lançada, depois que o governo de Maduro foi obrigado a enfrentar a guerra econômica com uma Lei de Preços Justos que proíbe os costumeiros lucros empresariais de “apenas” 200%, 300%, 1.500% e até 15.000%.

Estados fronteiriços, minados pela infiltração paramilitar, são cenários dum projeto secessionista. Os meios de comunicação internacionais os apresentam como estudantes.

O intelectual Luis Britto assinala que há alguns, enviados nas primeiras fileiras para proporcionar as vítimas. Mas poucos estão entre eles dos 79% dos jovens entre 14 e 24 anos que estudam; dos 67% que o fazem em instituições gratuitas, dos 90% que consideram que os estudos lhes trazem muitas ou bastante oportunidades, dos 73% que apreciam que o melhor sistema é a democracia bolivariana participativa; dos 60% que pensam que o melhor sistema econômico é o socialista (instituto de pesquisas GisXXI). Somente um terço dos violentos detidos são estudantes.

Os terroristas venezuelano passaram da manifestação “pacífica” ao sequestro massivo de moradores, ao saque, à cobrança de pedágio, ao incêndio, à destruição de 15 sedes de universidades gratuitas, ao envenenamento de águas com óleo diesel e ao assassinato. Alugando sicários, paramilitares e delinquentes que após sua captura confessaram ter sido pagos a mil bolívares (moeda do país) por dia.

O terrorismo midiático se internacionalizou, coligando 87 jornais da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, “P” de Prensa) e os cinco megamonopólios midiáticos do mundo contra a Venezuela, com sua “verdade única” de manipulação e falsidades, destaca Britto. Para ficar claro: na Venezuela operam hoje 2.896 meios de comunicação, dos quais 2.332 (65,18%) são privados, e apenas  3,22% são oficiais.

Uma das coisas que mais entusiasmou na Revolução Bolivariana em seu começo foi seu vigor criativo, seu otimismo silvestre, sua alegria, virtudes que talvez permaneçam relativamente, mas o certo é que vieram se apagando, comenta o analista Néstor Francia. «Não é que tenha perdido o apoio popular. Esse apoio se mantém, ainda que inconstante. Sofre permanentemente de vaievens. Há muito tempo, temos que dizê-lo, não confraterniza com 60% nas eleições».

Hoje Maduro fala do sonho de converter a Venezuela num país produtivo, que não só haja melhorado sua capacidade de compra, mas que também possa adquirir os produtos que o mesmo povo produza, que se aprofunde também a independência com a autosuficiência econômica. Isso está muito bem, porque se o povo venezuelano necessita de algo neste momento, uma vez mais, é de um sonho.

Tradução: Jadson Oliveira

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