sábado, 31 de maio de 2014

GREENWALD SOBRE SNOWDEN: “QUEREM QUE ELE VOLTE PARA ENCARCERÁ-LO PARA O RESTO DE SUA VIDA”



O jornalista Glenn Greenwald (Foto: Internet)
“Os Estados Unidos têm capacidade de espionar e interceptar cada chamada telefônica num país e conhecer seu conteúdo, e ainda podem armazenar e ouvir quando quiserem”.

Do jornal argentino Página/12, edição de ontem, dia 30

Os documentos de Edward Snowden estão seguros e bem guardados. Assim assegurou Glenn Greenwald, o jornalista a quem o ex-técnico da Agência de Segurança Nacional estadunidense (NSA) confiou toda a informação sobre o plano mundial de espionagem massiva. O governo dos Estados Unidos tem o objetivo de “obter e guardar todas as comunicações que ocorrem no mundo, não apenas as que têm a ver com a segurança nacional ou o terrorismo”, como o demonstra “a espionagem” sobre celulares em Bahamas, México, Filipinas e Kênia, disse o ganhador dum prêmio Pulitzer.

“Os Estados Unidos têm capacidade de espionar e interceptar cada chamada telefônica num país e conhecer seu conteúdo, e ainda podem armazenar e ouvir quando quiserem”, disse Greenwald, que se encontra na Espanha para promover seu livro Snowden - Sin un lugar donde esconderse (Edições B). “Obviamente México ou Bahamas não têm nada a ver com o terrorismo, que é a justificativa normal dos Estados Unidos para seu sistema” de espionagem, explicou.

O México é um país “de grande interesse para os Estados Unidos por ser fronteiriço”, declarou ao acrescentar que “a ideia de que há tráfico de droga num país não significa que se possa escutar e gravar todas as chamadas telefônicas”. Greenwald desmentiu informações aparecidas em diversos órgãos de comunicação, segundo as quais ele se dispunha a publicar uma lista com milhares de nomes de pessoas espionadas por Washington, mas garantiu que  vai centrar em “alguns casos que ilustram o propósito do sistema de espionagem e como funciona”.

Perguntado sobre WikiLeaks, do também jornalista Julian Assange, que  publicou numerosos telegramas de notícias e documentos diplomáticos confidenciais de Washington, Greenwald esclareceu que ele atua de forma diferente com os documentos de Snowden, já que o ex-técnico dos serviços secretos estadunidenses quis sempre “fazer as coisas de forma diferente”. Ao lhe confiar os documentos confidenciais – “eletronicamente guardados” –, Snowden “queria que informasse sobre este material de forma jornalística (...); o acordo que fiz com ele é que publicaríamos o que realmente seja necessário publicar” e “sem por em perigo gente inocente”, disse Greenwald. Ao explicar as diferenças entre Assange e Snowden - o primeiro refugiado na embaixada do Equador em Londres e o outro na Rússia -, Greenwald lembrou que este último trabalhava para o governo dos Estados Unidos e considerou que se ele regressa a seu país, onde é acusado de traição, não teria um julgamento justo. “Querem que ele volte para encarcerá-lo para o resto de sua vida”, assinalou. “Me consta que agora há gente no governo (estadunidense) inspirada em Snowden”, acrescentou Greenwald.

Tradução: Jadson Oliveira

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