domingo, 11 de maio de 2014

ESTÃO NOS ROUBANDO, MAS NINGUÉM ENTENDE DE ECONOMIA E FINANÇAS

"O Brasil está mudando para melhor. Não dá para contestar isso", diz Dowbor, que lutou contra a ditadura militar. Ele mostra como a desigualdade social fez parte do modelo adotado pela ditadura e como o Brasil vem mudando. 

 Entrevista do economista Ladislau Dowbor, para o Blog do Zé Dirceu - reproduzida do portal Carta Maior, postagem de 09/05/2014, com o título "O Brasil está mudando para melhor. Não dá para contestar isso" (o título acima é invenção deste blog - ver observação abaixo).

A relação entre as transformações do Brasil nas últimas duas décadas e a luta para superarmos a herança nefasta de 21 anos de ditadura militar é o tema da entrevista concedida ao Blog do Zé pelo economista Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP.
 
Dowbor, dentre os mais atentos observadores e analistas da cena política e econômica brasileira, que não apenas viveu o período militar, mas lutou contra a ditadura, mostra como a desigualdade social e regional fizeram parte do modelo adotado pela ditadura militar. Destrincha o milagre econômico e aponta o que estava por trás da máxima daqueles anos “deixar o bolo crescer primeiro, para depois distribuir”.
 
No alto de sua experiência em consultoria para as Nações Unidas e outras entidades, além de diversas passagens pela máquina pública, tanto no Brasil como no exterior, Dowbor alerta para a inconsistência das análises econômicas que atualmente pululam na mídia. Didaticamente, ele mostra o caminho: “É preciso fazer a lição de casa”, ou seja, o trabalho do economista: procurar os números, analisar os dados, comparar, checar…
 
Em seu site, www.dowbor.org, vocês podem encontrar e baixar os trabalhos do professor Dowbor. São mais de trinta anos destinados à economia e ao esforço de traduzi-la para um conjunto cada vez maior de pessoas. Seu mais recente trabalho, “Os Mecanismos Econômicos” (confira a íntegra aqui), mostra exatamente como funciona o sistema econômico e porque interessa a alguns setores que esses mecanismos permaneçam desconhecidos pela maioria da população.
 
Acompanhem a entrevista:
 
Uma das coisas que exploraram e usaram de pretexto para dar o golpe é que a inflação do governo João Goulart, o Jango era altíssima. Depois, durante a Ditadura, em longos períodos, tivemos inflação altíssima…
 
[ Ladislau Dowbor ] Em seus trabalhos, o Celso Furtado deixou muito claro que a inflação é um mecanismo de transferência de recursos. De forma geral, dos pobres para os ricos. Mais especificamente, das pessoas que têm renda fixa para os que têm renda variada. Uma empresa cuja matéria prima teve seu preço aumentado, acaba aumentando seu preço de venda. Ela tem formas de acompanhar a evolução da inflação. Um banco, se passa a captar dinheiro com um preço mais alto, ele joga isso nos juros. Eles têm como repassar o processo inflacionário para a frente. Agora, quando a inflação bate no trabalhador, ele fica esperando o reajuste salarial. Só que ela é empurrada durante todo o mês. Então, quando ele recebe o pagamento, na semana seguinte, o salário já vale muito menos.
 
Os assalariados, os aposentados e os pequenos produtores, que não têm como passar o preço para frente acabam perdendo a capacidade de compra que é transferida para as elites. Em particular para os bancos que criaram todo um sistema de aplicações de alta rotatividade. Neste sistema, eles aplicam o montante que o depositante deixa no banco. Com isso, os correntistas estavam perdendo o seu dinheiro e os bancos não. Todo processo de inflação se constituiu na transferência de concentração da renda nas elites. É importante pensar a inflação assim, porque as pessoas dizem “os preços subiram”. Inflação não aparece, de repente. Alguém subiu os preços para ela existir. E são esses grupos que sobem os preços, em particular os mercados financeiros, que jogam com a inflação como uma forma deles conseguirem reforçar a concentração de renda.
 
Isso é tão enraizado na cultura das elites brasileiras que em 1993, com o Plano Real, quando se quebra a inflação, foi feito uma troca: os bancos pararam de ganhar o que vinham obtendo com a inflação e passam a ganhar com os juros com duas vertentes: com os juros comerciais e com a taxa Selic. Apresentar juros ao mês é uma desonestidade.
 

Observação do Evidentemente: Como veem, mudei o título da matéria, porque me tocou mais esse aspecto, sem desmerecer as mudanças para melhor para o povo brasileiro a partir do governo de Lula.
 
Me incluo entre os ignorantes sobre "Os mecanismos econômicos" (nome do último livro do Dowbor). Mas isso não me impede de sentir que estamos sendo roubados. Cito um dos aspectos explicados, didaticamente, pelo professor economista: venda a prestações.
 
Você vai comprar uma máquina de lavar, por exemplo. Não existe o preço à vista, o preço é 10 prestações a tantos reais cada uma. Como assim? Você tem o dinheiro pra comprar à vista, então só se pagar as 10 prestações duma vez só!!!!!
 
Claro que alguma coisa muita séria está errada, estão nos roubando. Mas quase ninguém entende os tais "mecanismos" e todo semestre os lucros dos bancos batem recorde.
 
Estão nos roubando, mas ninguém reclama, todo mundo já se acostumou, então deve ser assim mesmo... A polícia não se importa, os juízes e promotores também (cadê nosso brioso Ministério Público?), nossas autoridades e governantes também não dizem nada, a imprensa também não, está devidamente censurada pelo sistema financeiro... Resultado, estão nos roubando, mas ninguém vai pra cadeia.

 



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