sexta-feira, 23 de maio de 2014

“É NECESSÁRIO DESCONSTRUIR OS MITOS E AS MENTIRAS EM TORNO DA VENEZUELA”, AFIRMAM DEBATEDORES



(Foto: Felipe Bianchi)

Os conflitos sociais na Venezuela e a cobertura da mídia internacional foram temas de debate na noite do sábado (17). A atividade, parte da programação do IV Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais, contou com as presenças de João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Breno Altman, diretor editorial do Opera Mundi; e Igor Fuser, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), que defenderam os avanços sociais obtidos no país desde a primeira eleição de Hugo Chávez e criticaram a campanha midiática permanente contra este processo.


Por Felipe Bianchi, no sítio web do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, de 19/05/2014


Segundo Fuser, não se trata de uma mera disputa entre o campo chavista e as forças conservadoras, mas de uma luta internacional e, especialmente, latino-americana. “Não apenas por uma identidade de valores, mas porque há uma inter-relação muito grande entre o que ocorre em cada país”, explica. “Nos últimos 15 anos, conformou-se um amplo campo progressista no continente e, mesmo com todas as críticas que podemos ter, é inegável que ocorre uma priorização dos interesses das maiorias desfavorecidas e a busca da autonomia política, econômica e integracionista, expressos na Unasul e no Celac, por exemplo”.


Ele prossegue argumentando que, no contexto do continente, os atores transcendem suas próprias fronteiras. “Os avanços e as derrotas do campo progressista em cada país”, para Fuser, “fortalecem ou debilitam o campo progressista dos outros países”. Não é por acaso, sublinha, que pouco tempo depois do início da crise venezuelana proprietários de jornais dos Diarios de Las Américas (mais de 50 veículos) lançam campanha de apoio à oposição venezuelana. Cada um desses veículos se comprometem a atacar diariamente o governo de Maduro.


“Não é jornalismo, não há cobertura de acontecimentos noticiáveis, com critérios definidos; é campanha”, denuncia o professor. “O Estado de S. Paulo, a Globo e seus congêneres fazem parte deste time. Não é apenas jornalismo conservador, é campanha com objetivos, prazos e métodos. É isso que vemos na imprensa brasileira e internacional”.


Uma das razões para tal articulação, na ótica de Fuser, remete à ligação umbilical da grande imprensa brasileira com os interesses dos Estados Unidos. “São agentes de seus interesses”, coloca, e questiona: “Em qual questão, nos últimos 10, 20 ou 50 anos, a imprensa brasileira adotou posição conflitante em relação a Washington?”.


O temor das famílias que monopolizam a mídia no país seria de que, se essas experiências revolucionárias dão certo e se consolidam ainda mais na Venezuela, transformariam-se em exemplo a ser seguido pelo Brasil.


“É um processo cheio de solavancos, tem imperfeições, contradições, mas a construção que está sendo feita no imaginário em relação à Venezuela é totalmente falsa”, dispara. “Mídia alternativa e ativistas digitais têm de desconstruir as falsas narrativas sobre a Venezuela e produzir informação que reflita a realidade do país para os maiores interessados no processo: o povo”.

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