quinta-feira, 1 de maio de 2014

COLÔMBIA: AS FARC JÁ TÊM SEU PARTIDO POLÍTICO



Pablo Catatumbo, um dos comandantes das FARC, lê o comunicado em Havana (Foto: AFP/Página/12)
Se chegarem a um acordo final de paz, vão participar de eleições através do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia: o MBNC é considerado o braço político da guerrilha e foi fundado em 29 de abril de 2000 na zona colombiana do Caguán, onde se desenrolou o anterior intento de diálogo de paz. Será “um partido político aberto e legal”.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição dos dias 30/abril e 1º./maio

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram na terça-feira, dia 29, que, se chegarem ao acordo de paz com o governo colombiano, participarão na política de maneira legal através do Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia (MBNC), o braço político da guerrilha, ainda clandestino. “Aqui está o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, disposto a, se se alcança a assinatura do acordo final, construir um partido político aberto, legal, que atraia as maiorias descontentes”, declararam num comunicado os negociadores das FARC que, há mais de um ano, participam em Havana do diálogo de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos. A delegação manifestou que o objetivo deste novo partido seria “prosseguir a luta pela democracia, a reconciliação e a justiça social”, segundo o texto.

“O Movimento Bolivariano está pronto para continuar seu avanço, pela Nova Colômbia, oxalá num novo cenário marcado pela paz; mas em todo caso alçando o amarelo, azul e vermelho (cores da bandeira colombiana) da emancipação, levantando agora sua voz pela Constituinte que reconstrua o país”, acrescentaram as FARC em sua declaração. O MBNC é considerado o braço político da guerrilha e foi fundado em 29 de abril de 2000 na zona colombiana do Caguán, onde se desenrolou o anterior intento de diálogo de paz.

No ano passado, Iván Márquez, número dois das FARC e chefe dos negociadores do grupo, indicou que a guerrilha impulsiona partidos e movimentos políticos, entre eles o MBNC e o Partido Comunista Clandestino. As FARC e o governo colombiano negociam desde fins de 2012 em Havana um acordo para por fim ao conflito interno armado que existe na Colômbia há mais de meio século. As delegações chegaram a acordos preliminares sobre a reforma rural e a participação política, dois dos seis pontos da agenda estabelecida.

Na atualidade, a mesa de diálogo debate a erradicação dos cultivos ilícitos e ficam pendentes os pontos sobre o desarmamento, a reparação das vítimas do conflito e o modo de dar legalidade e vigência a um eventual acordo final de paz. A delegação oficial, encabeçada pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle, se absteve de fazer declarações sobre o MBNC.

As FARC condicionaram a continuidade dos diálogos de paz a que o governo colombiano aceite uma comissão da verdade e se descarte a prisão para seus dirigentes. O negociador rebelde Andrés París advertiu que o processo de paz ficará suspenso se o governo colombiano se nega a formar uma comissão que investigue a origem do conflito.

“Se não há avanço nesta comissão, aí param os diálogos”, expressou.

París assegurou ademais que se pretende mostrar essa organização como responsável pelas vítimas deixadas pelo conflito armado, que na sua opinião surgiu como resposta à “violência estatal”.

Continua em espanhol:

Según el dirigente rebelde, “se prepara una base mediática para mostrarnos en el punto de víctimas como los responsables de los muertos y desaparecidos a lo largo de la guerra que por años ha afectado a Colombia”. París señaló que Santos intenta convertir la mesa de negociación de La Habana en un “tribunal de Nuremberg para juzgar guerrilleros”.

Consideró por ello (por isso) que es necesario que aflore la verdad sobre preguntas como “quién inició el conflicto y quién tiene la mayor responsabilidad” en la guerra que ha vivido Colombia por más de cinco décadas. Las FARC descartaron de nuevo firmar un acuerdo de paz que signifique la prisión para sus comandantes. “No van a encontrar a las FARC suscribiendo el fin del conflicto y viendo a sus dirigentes en la cárcel”, sostuvo París.

En octubre pasado, durante las primeras conversaciones, hubo consenso en crear, siempre que se alcance la paz, unas condiciones especiales en una fase de transición para el caso de nuevos movimientos que se constituyan en partidos políticos. El acuerdo alcanzado establece que “se convocará en un evento nacional a los voceros (representantes) de partidos y movimientos políticos para integrar una comisión que defina los lineamientos (os apontamentos, a linha) del estatuto de garantías para los partidos que se declaren en oposición”. Esa comisión está pensada para facilitar “la participación de voceros (representantes) de organizaciones y movimientos sociales, expertos y académicos” con propuestas para crear un Estatuto de la Oposición, según el documento.

En su momento, las partes anunciaron que el acuerdo sobre participación política “profundiza y robustece” la democracia colombiana “ampliando los derechos y garantías para el ejercicio de la oposición, al igual que espacios de participación de política ciudadana”, con el objeto de promover el pluralismo, la inclusión política y la transparencia en los procesos electorales. En el caso de llegarse a un acuerdo definitivo de paz, esta resolución contempla cambios (mudanças) institucionales “para facilitar la constitución de partidos políticos y el tránsito de organizaciones y movimientos sociales con vocación política para su constitución como partidos”.

Tradução: Jadson Oliveira

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