quarta-feira, 28 de maio de 2014

COLÔMBIA: AS FARC COMPLETAM 50 ANOS EM PLENA NEGOCIAÇÃO



O histórico líder Manuel Marulanda (ou Tirofijo - Tiro Certeiro em tradução literal), um dos fundadores das FARC, morreu em 2008 aos 77 anos (Foto: Internet)
A principal guerrilha colombiana, criada sob inspiração das ideias do marxismo-leninismo e de Simón Bolívar, forjou uma história de luta pelos oprimidos; com os anos apelou também para o sequestro, o narcotráfico e a morte, com uma guerra que se diversificou pela aparição do fenômeno do paramilitarismo.

Nota do jornal argentino Página/12, edição de ontem, dia 27

Faz 50 anos, com apenas oito dias de diferença, se criavam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambas guerrilhas protagonistas inegáveis da trágica história contemporânea do país caribenho, que atualmente apostam na possibilidade histórica de assinar um acordo de paz com o governo e passar à atividade política convencional. Não foram as primeiras guerrilhas colombianas nem as únicas que surgiram a partir dos convulsionados anos 60, mas são as que se mantiveram vigentes ao longo de meio século, o que as transforma nas mais antigas do continente e as únicas que conservam um poder de fogo que torna razoável para o governo tentar colocar fim a este conflito sangrento pela via da negociação.

Em 1961, o governo lançou uma operação militar de milhares de homens para repor a soberania do Estado nas regiões que, de Bogotá, eram consideradas “repúblicas independentes” em mãos de camponeses alçados em armas. Os camponeses resistiram o quanto puderam, em clara minoria numérica, e conseguiram escapar nas montanhas. Ali Pedro Antonio Marín, codinome Manuel Marulanda ou Tirofijo, e o líder comunista Jacobo Arenas fundaram em 27 de maio de 1964 uma guerrilha chamada Bloque Sur (Bloco Sul), que dois anos mais tarde adotou o nome de FARC, inspirado nas ideias do marxismo-leninismo e de Simón Bolívar. As FARC forjaram uma história de luta pelos oprimidos; com os anos apelaram também para o sequestro, o narcotráfico e a morte, com uma guerra que se diversificou pela aparição do fenômeno do paramilitarismo, que em muitas ocasiões atuou coordenadamente com as forças regulares do Estado colombiano.

Políticos como a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e sua companheira Clara Rojas, governadores, deputados, contratistas do Pentágono, policiais, militares e civis estiveram cativos durante anos nas selvas da Colômbia. Em seus melhores momentos, finais dos anos 90, as FARC chegaram a contar com 20 mil homens armados e o objetivo insurgente chegou a parecer possível. Chegaram a cercar Bogotá e tomaram povoados e cidades inteiras.

O ELN não conseguiu se sentar ainda na mesa de conversações, apesar de ter feito várias propostas, desde somar-se aos diálogos de Havana a abrir uma negociação própria, onde aparece como provável a figura do presidente do Uruguai, José Mujica, como mediador. Tanto as FARC como o ELN, que se constituíram por razões comuns e com objetivos similares, poucas vezes concordaram em seus posicionamentos. Mas hoje estão mais unidos do que nunca frente às ofensivas militares e, sobretudo, na busca de acordos com o governo que lhes permitam deixar as armas e reconverter-se numa proposta política.

Tradução: Jadson Oliveira

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