terça-feira, 15 de abril de 2014

VENEZUELA: "AS 'GUARIMBAS' (BARRICADAS) SE REDUZIRAM E A OPOSIÇÃO ESTÁ DIVIDIDA"


Luis Britto García denuncia o assassinato premeditado de cidadãos para criar a aparência de genocídio, pretexto para o golpe de Estado ou a intervenção estrangeira, conforme a cartilha do "golpe suave" do guru estadunidense Gene Sharp (Foto: Reuters/Carlos García Rawlings)




"Os meios de comunicação privados também dissimulam ou omitem que os procedimentos dos terroristas compreendem o assassinato seletivo com armas de mira laser..."


Por - entrevista reproduzida do portal venezuelano Aporrea.org, de 14/04/2014

O reconhecido jornalista e escritor venezuelano Luis Britto García concede entrevista logo após escrever um artigo sobre os meios de comunicação privados e sua manipulação sobre os fatos que acontecem no país caribenho, há dois meses de iniciados os protestos – que Britto caracteriza como “minoritários” - contra o governo de Nicolás Maduro. Durante a conversa, observa que há uma crescente divisão dentro da própria oposição venezuelana e analisa a obra de Gene Sharp – cientista político estadunidense - em relação à sua teoria sobre os “golpes suaves”.

- Ao completar dois meses de iniciados os atos de desestabilização na Venezuela, qual é sua avaliação do momento atual no país? Como acredita que têm influenciado as convocações ao diálogo feitas tanto por Maduro como pelos chanceleres da Unasul, os quais se encontram em Caracas pela segunda vez nas últimas três semanas?

- A onda de violências se reduziu. É oportuno aclarar, para o público internacional, que na maioria dos casos não se trataram de manifestações, mas de cortes nas ruas que só ocorreram em uns poucos municípios com prefeitos e polícias opositores, os quais protegiam os violentos em sua operação de sequestrar os moradores. Dirigindo ou apoiando estas operações, foram detidos narcotraficantes procurados pela Interpol e paramilitares. A Venezuela tem 335 municípios; os atentados ocorreram no início somente em 19, em seguida se reduziram a três, e hoje em dia há às vezes cortes de ruas esporádicos, sempre protegidos pelas polícias opositoras locais.

- Qual o papel que os meios de comunicação de massa privados venezuelanos, ainda majoritários, têm neste momento de instabilidade política que vive o país? Que papel acredita que cumprem, também, os meios de massa internacionais na construção duma imagem distorcida da Venezuela?

- Os acontecimentos na Venezuela deram lugar a uma antologia de violações da ética e da verdade nas informações por parte dos meios de comunicação, que de fato em nosso país são majoritariamente privados e majoritariamente opositores, assim como os anunciantes que os mantêm. Os meios nacionais e internacionais fizeram circular imagens de repressão ocorridas no Egito, Grécia, Líbia, Síria, Espanha e em outros países, afirmando falsamente que teriam ocorrido em nosso país. Falsificaram mobilizações dum setor muito  minoritário dentro da própria oposição, apresentando-as como representativas “dos estudantes”,  “da juventude” ou “do país”. Creio ser indispensável insistir que na Venezuela a juventude representa mais de 60% da população; que um de cada três venezuelanos estuda, um de cada dez em instituições de educação superior, quase todas gratuitas. Se um setor de tal magnitude estivesse contra o bolivarianismo, este jamais teria ganho eleições, nem poderia se manter no poder.
Os meios também representaram os protestos como “pacíficos”, quando neles mais da metade dos feridos corresponde a integrantes da força pública. Os meios privados também dissimulam ou omitem que os procedimentos dos terroristas compreendem o assassinato seletivo com armas de mira laser, a destruição sistemática de mais duma centena de unidades do transporte público e de estações do Metrô, o incêndio de centrais elétricas e de 15 universidades e dum pré-escolar com quase uma centena de crianças dentro, as quais por certo foram resgatadas por milagre.

- Se têm construído várias suposições de “senso comum” sobre a realidade venezuelana, a partir da visão simplista de alguns multi-meios comunicacionais: que estaríamos frente a um governo “tirânico” – apesar das forças governistas terem ganho 18 de 19 eleições -, que supostamente este governo censura os veículos de imprensa – apesar de ter grande parte dos meios de massa privados contra ele -, etc. Quais observações você tem a fazer sobre estes temas?

- Os meios de comunicação acompanham suas manipulações com afirmações de que o governo seria uma “ditadura”, que nenhuma ditadura permitiria divulgar, e com protestos contra “a censura”, que nenhum censor deixaria passar. Sobre a legitimidade do governo venezuelano temos que repetir fatos muito conhecidos: o ex-presidente estadunidense Jimmy Carter declarou que o nosso era o sistema eleitoral mais perfeito ou um dos mais perfeitos do mundo.

A cada eleição acorrem centenas de observadores internacionais, que jamais encontraram um defeito significativo. Como procedimento de rotina, concluída a eleição se faz uma revisão na metade dos centros de votação, e, a pedido da oposição, foram realizadas revisões completas, sem que nunca fossem detectados erros nem fraudes. Mas para a oposição só são legítimas as eleições que eles ganham, e, segundo eles, o perder eleições lhes dá o direito de governar.

Continua em espanhol:

- A raíz de los hechos en Venezuela, se ha vuelto a escribir y a estudiar sobre la obra de Gene Sharp, sobre todo en relación a su “manual” de cinco pasos para generar un “golpe suave”. ¿Cree que hay relación entre la obra de Sharp y los hechos que se están dando en su país? ¿Opina que la modalidad de “golpe suave” se ha extendido en nuestro continente luego de lo sucedido en Honduras (2009) y Paraguay (2012)?

- Pues sí, se han cumplido paso por paso las recomendaciones de Gene Sharp, hasta un extremo cómico: la copia de signos y emblemas de las “revoluciones de colores”, las consignas en inglés, la escenificación de disturbios focalizados que los medios presentan como conmoción nacional. En forma más trágica, ha habido casos de manifestantes asesinados con tiros por la espalda (pelas costas) desde sus propias filas (fileiras), para presentar víctimas. También hay ciudadanos asesinados por el simple hecho de tratar de remover unos obstáculos, y  motociclistas degollados con trampas de alambre.

Habría que dejar de llamar “golpe suave” a estas inmolaciones premeditadas de ciudadanos para crear el pretexto de un genocidio en la forma de golpe militar o (ou) intervención extranjera. Por cierto que ninguna de estas dos (duas) metas finales del método de Sharp se han materializado hasta el presente en Venezuela. La oposición hizo de nuevo cálculos equivocados sobre la lealtad del ejército y sobre las disposiciones de potencias extranjeras de colocarla en el poder por la intervención militar.

- La oposición conservadora venezolana parece estar dividida entre dos (duas) tendencias: una que quiere seguir en las calles a toda costa (continuar nas ruas a todo custo), buscando “la salida” (a saída), y que se reconoce en las figuras de (Leopoldo) López y (María Corina) Machado; y otra que, sin perder de vista una crítica fuerte al gobierno de Maduro, intenta deslindarse de los hechos de violencia en las calles (nas ruas), más ligada al “caprilismo”(de Henrique Capriles). ¿Por qué cree que esto es así? ¿Cuál es su evaluación (avaliação) sobre una “división” en la oposición conservadora venezolana?

-Los sucesos (acontecimentos) violentos evidenciaron más que nunca una división de la oposición venezolana, cuya sustancia es una riña de celos por el liderazgo (cuja substância é uma ciumeira pela liderança) entre Capriles y López. En el acto en el cual éste (López) se entregó (à polícia, foi preso, está preso ainda), todas las camisetas eran blancas, color del minoritario partido Voluntad Popular, que ni siquiera presentó candidato propio para las primarias de la oposición. En ese acto no había ni una camiseta amarilla de (amarela do partido) Primero Justicia, de Capriles. Por su parte Capriles, al ser derrotado en las elecciones presidenciales de 2013 llamó a sus partidarios a salir a la calle, a “drenar su arrechera” (chamou seus partidários a sair às ruas, a "mandar brasa"): en las horas inmediatas asesinaron a una docena de bolivarianos, lesionaron a unos ochenta, y destruyeron centros médicos y emisoras comunitarias. Todo con premeditación, alevosía y ventaja: no hubo ni un herido entre las escuadras terroristas.

Tras esta hazaña (Após esta façanha), a principio de año Capriles contradijo a López diciendo que con el calentamiento de calle no se llegaba al poder, y luego ha mantenido una actitud ambigua. Es un hecho: las guarimbas se desinflaron (as barricadas se reduziram, refluíram); sólo muy de cuando en cuando recurre un episodio violento aislado (isolado), siempre bajo (sob) la protección de policías y autoridades locales opositoras. A veces esto llega a lo cómico. Hace unos días hubo un corte de vía en el sector donde vivo: las autoridades instalaron sanitarios portátiles para comodidad de los encapuchados protestatarios. Lo cual desmiente que los vecinos (os moradores) los apoyen o (ou) fraternicen con ellos.

Una encuesta (pesquisa) de Hinterlaces reveló que 87% de los consultados rechaza los cortes viales o (ou) “guarimbas”; prácticamente toda la oposición ha acudido a la Mesa de Diálogo por la Paz que convocó Maduro. Entre ellos, empresarios del gremio patronal Fedecámaras (maior entidade representativa do grande empresariado), que quieren aprovechar el río revuelto para imponer su programa.  Otros opositores han tildado (classificaram) de vendidos a quienes concurrieron al diálogo. La oposición está declaradamente dividida, pero yo creo que en relación a la táctica coyuntural y a los nombres de los líderes: en uno u (ou) otro momento, todos ellos recurren sin escrúpulos al golpismo, el terrorismo y la violencia. En el presente caso, además, hubo pronunciamientos secesionistas (separatistas) en los estados fronterizos, y una evidente participación de narcotraficantes y paramilitares en las acciones violentas. Ello (Isso) reabre una inquietante perspectiva para la política venezolana.


Tradução: Jadson Oliveira

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