quarta-feira, 9 de abril de 2014

O GENOCÍDIO DE STROESSNER



Baltasar Garzón, rodeado de ativistas paraguaios, anuncia a ampliação do processo (Foto: Bernardino Avila/Página/12)

Com o apoio de Baltasar Garzón, amplia-se o processo na Argentina: a Federação Nacional Aché decidiu ampliar a questão apresentada em junho do ano passado ante o juizado federal de Oyarbide para julgar os responsáveis por crimes de lesa humanidade entre 1954 e 1989.


Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 9


Com o respaldo do ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, a comunidade indígena Aché, do Paraguai, apresentou ontem (terça-feira) uma denúncia pelo genocídio cometido durante a ditadura de Alfredo Stroessner. Amparada no princípio de jurisdição universal, a Federação Nacional Aché decidiu ampliar a questão apresentada em junho do ano passado ante o Juizado Federal nº 5, a cargo do juiz Norberto Oyarbide, com o fim de encontrar e julgar os responsáveis pelos crimes de lesa humanidade entre 1954 e 1989. 
“Praticamente 60% do povo Aché foi desaparecido, eliminado, com o roubo de mais de 200 crianças que foram entregues à servidão doméstica, vendidas, entregues em adoção ilegal”, disse Garzón, presidente do Centro Internacional para a Promoção dos Direitos Humanos (Cipdh), que acompanhou a apresentação judicial.


Yudith Rolón, uma das querelantes e titular do Comitê da Verdade, Justiça e Reparação do Paraguai, lamentou o pouco compromisso da Justiça de seu país com o extermínio Aché. “Em 6 de agosto do ano passado decidimos no Paraguai, juntamente com outros companheiros, apresentar esta questão para buscar justiça a partir do princípio da jurisdição universal. Vimos inúmeras vezes como na Argentina se está exercendo a justiça. No entanto, no Paraguai somos meros espectadores. Nossa missão como querelantes é abrir esta causa e que se investiguem estes fatos”, apontou. Ademais, destacou que as demandas apresentadas ante a Justiça argentina vão mais além dos crimes relacionados com o Plano Condor.


Juan Maira, advogado dos querelantes, contou que o início das matanças teve como objetivo despojar a comunidade Aché de suas terras. “Em 1968, foi constituída, pelo governo de Stroessner, o que se chamou a colônia ‘Rata de monte’. Necessitavam as terras por uma questão econômica. Então, entre o governo e os civis começaram a caçar, ainda que o termo pareça demasiado duro, os membros da comunidade como se fossem animais. Porque os queriam num gueto. Era uma reserva de onde não permitiam que saíssem. Lá não vendiam apenas as crianças, às vezes também eram vendidas mulheres para servidão”, assinalou. O advogado não hesitou em denominar de genocídio o que ocorreu nessa comunidade porque, segundo ele, foi parte dum plano sistemático para exterminar os Aché. “Acreditamos que pode ter sido desaparecido 60% ou até mais. Se calcula que podem ter desaparecido aproximadamente umas 200 pessoas. Na realidade, a quantidade exata de habitantes é impossível se calcular. Como eram os donos ancestrais dessas terras não se tem um cálculo exato”, indicou.


Continua em espanhol:


Por su parte, Carlos Ortellado, cuyo padre fue asesinado hace 38 años por las fuerzas del régimen de Stroessner, explicó a Página/12 que la Justicia argentina es la única alternativa ante la falta de respuesta del Estado paraguayo. “Poco a poco vamos avanzando, pero gracias al esfuerzo de los familiares. Nosotros conseguimos la designación de la Defensoría del Pueblo a pedido de las víctimas. Sacamos leyes, a pedido de las víctimas. Respecto de los desaparecidos, tenemos 23 esqueletos que hay que identificar, pero el trabajo de encontrarlos fue nuestro. No fue una decisión del Estado. La única forma de llegar es saltar. Es decir, buscar otras instancias”, aseguró.


Ortellado también resaltó la continuidad de la cultura represiva en su país y vinculó el genocidio Aché con la masacre de Curuguaty, el asesinato de campesinos que terminó con el gobierno del ex presidente Fernando Lugo en 2012. “El famoso Marina Cué es el terreno de los Aché. En ese lugar fueron ejecutados varios indígenas, ocurrió una verdadera masacre: se ejecutaron a once campesinos. En Paraguay, la democracia está en deuda (dívida). Se cambió (mudou) un gobierno constitucional que fue elegido por el pueblo paraguayo”, sostuvo. Desde su visión, el problema radica en que muchos de los familiares de los represores de la dictadura ocupan puestos clave en los poderes del Estado.


“Venimos a pedir justicia, hubo torturas, violaciones, maltratos. No podemos soportar este dolor que sufrimos en nuestro país, este daño que han hecho a nuestro pueblo originario. Sentimos un inmenso dolor. Pedimos que el Estado responda por el daño a nuestro pueblo”, declaró Ceferino Kreigi, miembro de la comunidad Aché, durante la presentación. A su turno, Garzón elogió a la Argentina. “Este país cumple un rol (um papel) ejemplar al investigar estos casos”, destacó.

Informe: Patricio Porta

Tradução: Jadson Oliveira

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