sábado, 12 de abril de 2014

IMPRENSA, VERDADE E JUSTIÇA: A MONOTONIA DO MAL



(Foto: Internet)
Quem hoje, que tenha  mais de 40 anos, não haverá de se lembrar  das vozes graves  e empostadas de Cid Moreira e Sérgio Chapelin informando  diariamente, no “Jornal Nacional” da Globo, os “confrontos” entre os subversivos e as forças de segurança do regime, que resultavam sempre, vê-se, na morte dos terroristas.

Por José Benedito Pires Trindade, no Correio da Cidadania, de 11/04/2014 (enviado pelo companheiro Otto Filgueiras)

É tudo sempre igual. É tudo muito antigo. É tudo tão aterrador.

Na captura de índios para a escravidão, nos primeiros séculos da Colônia, havia os que fugissem das bandeiras, os que resistissem, os que se rebelassem quando cativos ou os que morressem de trabalhar, pois, como se sabe, desde aquela época, índio é bicho preguiçoso, vagabundo incorrigível, inútil e invasor de terras.

Mesmo depois que Santa Madre concluiu que os índios tinham alma, eles continuaram caçados e massacrados, e genocidas como Borba Gato e Raposo Tavares continuam sendo celebrados, especialmente pelos paulistas, como heróis do extermínio, porque teriam feito avançar nossas fronteiras.

De uma só feita, Raposo Tavares preou 200 mil índios, no território que é hoje o Paraná.  Milhares morreram na captura e outros tantos na condução até o mercado paulista. Efeitos colaterais que os bandeirantes já previam, daí a necessidade de apresar grandes quantidades, para repor as perdas.

(A mesma preocupação de Alberto Speer, ministro de Armamento de Hitler, constantemente pressionando Hitler, Himmler e Heydrich por mais prisioneiros para as fábricas de armas do Reich, já que a  mortalidade entre esses escravos  - basicamente judeus, comunistas e eslavos - era muito grande).

A indolência dos índios foi substituída pela escravidão dos negros africanos. A Santa Madre, que deu alma imortal aos índios, mas não condenou sua escravização, também concedeu o benefício da eternidade à alma branca dos negros, e não se opôs à senzala e ao pelourinho.

Em relação ao quase extermínio dos índios e à ignomínia da escravidão dos negros, tudo o que se disse, se desculpou, discursou e chorou é uma gota em um oceano incomensurável, sem extensão ou profundidade, de dor e terror.

Por mais que a história do Brasil e de seu povo se estenda pelos séculos e séculos, nada purgará a nossa crueldade, omissão e conivência. Mesmo porque somos reincidentes. Diariamente, vemos repetir, com requintada perfeição, os mesmos crimes. E diante deles, reprisa-se o comportamento omisso, conivente, abúlico, indiferente, qual seja o adjetivo de escolha.

Qual foi a reação do país, das tais autoridades constituídas no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, no Ministério Público e da malfada e nunca suficientemente deplorada mídia, às revelações medonhas do coronel Paulo Manhães sobre as torturas, assassinatos, esquartejamentos e sumiço de restos mortais de presos políticos?

A mesma reação indiferente, logo cúmplice, à informação, largamente difundida, de que no processo de “conquista” do Complexo da Maré, Rio de Janeiro, em 15 dias, 16 bandidos foram mortos “em confronto” com o Exército e o BOPE (PM). Do lado das “forças pacificadoras”, sequer um fio de cabelo deslocado.

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