terça-feira, 29 de abril de 2014

ARGENTINA: PRESO PADRE PROCURADO POR CUMPLICIDADE COM A DITADURA



Vara visitava sequestrados em La Escuelita e outros centros clandestinos (Foto: Enrique García Medina/Página 12)
Aldo Vara era procurado por violações dos direitos humanos: o ex-capelão do Exército foi encontrado pela Interpol na Ciudad del Este, Paraguai, e ficou detido. Era procurado há dois anos, quando a Justiça o considerou culpado por sua participação em delitos de lesa humanidade durante a ditadura.

Matéria do jornal argentino Página/12, edição de hoje, dia 29


Entre 1971 e 1979, Aldo Vara limpou as consciências dos integrantes do V Corpo do Exército Argentino. Segundo asseguraram várias testemunhas, o então capelão dessa força também visitou jovens sequestrados clandestinamente durante a última ditadura civil-militar. Faz quase dois anos, a Justiça o considerou culpado por sua participação nos crimes de lesa humanidade cometidos durante aqueles anos e pouco tempo depois ordenou sua captura internacional. Ele esteve foragido até ontem (segunda-feira, dia 28), quando a Interpol o localizou e o deteve na Ciudad del Este, Paraguai. Segundo informou a Unidade Fiscal (da Procuradoria/Ministério Público) de Causas por Violações dos Direitos Humanos, o octogenário repressor foi transferido a Assunção, onde “se realizarão todos os trâmites judiciais com a finalidade de que seja levado para a Argentina”.


O último dado sobre Vara dentro do território argentino foi que viveu em San Rafael, Mendoza. O dado é antigo. Quando o Tribunal Federal que dirigiu o julgamento pelos delitos de lesa humanidade cometidos no Batalhão de Comunicações 181 de Bahía Blanca, em 2012, quis citá-lo para depor, a Igreja disse desconhecer seu paradeiro. Os juízes Jorge Ferro, José Triputti e Martín Brava, então, não deixaram “a peteca cair”: na sentença em que condenaram, no final daquele ano, 17 repressores pelos crimes envolvidos nessa causa, determinaram sua culpabilidade e pediram ao Ministério Público que o investigasse.


Vara é o único do grupo de religiosos que colaborou ativamente com a repressão em Bahía Blanca que resistiu à passagem do tempo. São vários os sobreviventes de centros clandestinos de detenção e de sessões de tortura da última ditadura civil-militar que recordaram diante da Justiça as visitas que o capelão fazia aos lugares de sequestros, seu conhecimento a respeito dos métodos de extermínio e as palavras que costumava dedicar às vítimas.


O caso mais conhecido no qual testemunhas garantiram à Justiça haver dialogado com ele quando em cativeiro é o dum grupo de estudantes da escola secundária técnica Nº 1, sequestrados em 1976, encerrados e torturados durante um mês em La Escuelita e em seguida durante um tempo mais no Batalhão. Os rapazes contaram, na primeira vez, (houve depois outros depoimentos), durante o Julgamento das Juntas (ainda na década de 80, quando tais julgamentos na Argentina ainda não tinham avançado), que o sacerdote lhes levava comida e cigarros, além da “palavra de Deus”, mas que não fez nada quando eles pediram por seus pais.


Continua em espanhol:


También fue vinculado con el terrorismo de Estado por familiares de víctimas de aquellos crímenes. Incluso él admitió, en el marco del juicio (do julgamento) por la verdad que se llevó a cabo en 1999, que supo (soube) de las torturas en el centro clandestino La Escuelita y que vio las secuelas de la picana (choque elétrico) sobre el cuerpo de jóvenes secuestrados en el Batallón de Comunicaciones 181.


Tras realizar la investigación, los fiscales (os procuradores) a cargo de la Unidad de Asistencia en Causas por Violaciones a los Derechos Humanos, Martín Palazzini y José Nebbia, solicitaron que se lo detuviera por privación ilegal de la libertad agravada por amenazas y violencia, homicidio agravado por alevosía en concurso de tres personas por lo menos y homicidio y desaparición forzada e imposición de tormentos.


“Vara garantizó la continuidad de la privación ilegal de la libertad y torturó psíquicamente a los cautivos dentro del centro clandestino y a sus familiares, afuera”, escribieron en su pedido de imputación, búsqueda y detención a Vara, tal como informó este diario hace un año. La cuestión derivó, algunos obstáculos mediante – el juez de primera instancia, Santiago Martínez, denegó (negou) la solicitud –, en su pedido de captura internacional, en agosto de 2013.


En noviembre pasado, agrupaciones defensoras de los derechos humanos solicitaron de manera formal a las autoridades locales de la Iglesia y al papa Francisco, a través de ellas, que intervinieran y participaran en la búsqueda de Vara. En diciembre siguiente, el Ministerio de Justicia y Derechos Humanos ofreció una recompensa de 100 mil pesos para quien aportara información sobre su paradero. Finalmente, fue encontrado ayer (ontem) en Ciudad del Este.

Tradução: Jadson Oliveira

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