quinta-feira, 27 de março de 2014

PARAGUAIOS FAZEM A PRIMEIRA GREVE GERAL EM DUAS DÉCADAS



Milhares de campesinos e sindicalistas paraguaios participaram na quarta-feira (dia 26) duma mobilização e greve geral na capital do país expressando seu repúdio à política econômica e social do governo de Horacio Cartes.

Por RT Actualidad (Rússia Today em espanhol), de 26/03/2014

A mobilização, que temporariamente paralisou Assunção, a capital paraguaia, coincidiu com a XXI Marcha do Campesinato Pobre, que é realizada a cada ano para reivindicar uma reforma agrária e protestar contra o modelo econômico apoiado pelos grandes latifundiários e produtores de soja, o principal cultivo exportador do país.
(Fotos: Jorge Adorno/Reuters/RT)
A marcha, com a participação de cerca de 6.000 ativistas, foi convocada por quatro forças principais: a Federação Nacional Campesina (FNC), a Corrente Sindical Classista (CSC), o Partido Paraguai Pyahurã (PPP) e a Organização dos Trabalhadores da Educação (OTEP-SN). Nas vésperas da manifestação milhares de ativistas começaram a chegar à capital vindos dos vários departamentos do país.
Os sindicalistas reivindicaram um reajuste do salário mínimo de 25%, já que a última medida similar realizada em fevereiro pelo governo de Cartes foi tomada sem qualquer consulta aos sindicatos e é considerada insuficiente. Outras demandas dos manifestantes abarcavam uma gama de problemas, desde melhorias na educação até a modificação do sistema de transporte público e o fim do modelo agroexportador. 
Apesar das preocupações das autoridades, os protestos transcorreram sem incidentes. De acordo com os líderes da marcha, se o governo não atende suas reivindicações, se planeja organizar outra manifestação semelhante.
 
Segundo o jornalista Luis Agüero Wagner, o modelo agroexportador que predomina no Paraguai é totalitário e imposto por empresas estadunidenses. "Na realidade é um modelo totalitário imposto por empresas estadunidenses como Monsanto (...) e outras grandes empresas monopólicas, porque anteriormente os campesinos paraguaios podiam se dedicar à cultura de subsistência em suas pequenas parcelas de terra e, no entanto, isto agora já é impossível", explicou o especialista à RT

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