quarta-feira, 12 de março de 2014

“OPOSIÇÃO OPERÁRIA” DEBATE AS JORNADAS BRASILEIRAS DE JUNHO/2013 E A COPA



Mobilizar, conscientizar e organizar em tempos de esquerdas baratinadas; em tempos de partidos e sindicatos enfraquecidos; em tempos de “revolução bolivariana” e “socialismo do século 21” na América Latina; em tempos de “primavera árabe”, “indignados”, “Fora do Eixo/Mídia Ninja”, Black Blocs e Rolezinhos; em tempos de ditadura da mídia hegemônica e protagonismo da Internet/redes sociais; em tempos de direita disputando as ruas e “mensalão”; em tempos de declínio político (não militar) do império estadunidense.


 

De Salvador (Bahia) - Busquei alinhar aí encima um rascunho do que pode estar em discussão hoje no Brasil, na América Latina e no mundo, no tocante ao movimento democrático, popular e socialista, para anunciar aqui neste meu blog que os companheiros da intitulada “Oposição Operária” (articulação de esquerda que edita a revista Germinal) vão discutir, em seminário, as manifestações de junho/julho do ano passado e a Copa do Mundo. Será logo mais no sábado, dia 15, pela manhã, na sede do CEAS (Centro de Estudos e Ação Social), na Federação, em Salvador-Bahia.


 

Não sei por quais caminhos vão andar os debates. Sei que a explosão de gente nas ruas das grandes cidades – chegou-se à estimativa de 300 mil pessoas num dos protestos no Rio de Janeiro – surpreendeu todo mundo. Os partidos políticos – todos, vamos enfatizar especialmente os de esquerda (que se dizem marxistas, leninistas ou trotskistas) e/ou de centro-esquerda – foram pegos de calça na mão. Milhares de jovens “desorganizados” exibindo os mais variados, e às vezes estranhos, protestos e reivindicações.


 

O pessoal das esquerdas totalmente baratinado. Quem estava no comando? Não havia comando, a coisa parece que rolava no piloto automático. E a confusão aumentou quando grupos de direita começaram a mostrar certo protagonismo. Há um detalhe, para mim, demonstrativo da desorientação geral e até dum certo desespero: num artigo divulgado na blogosfera, era dito, com todas as letras, que o ex-presidente Lula ia assumir “definitivamente” o comando das manifestações.


 

(Garanto que é verdade, eu li, inclusive o “definitivamente”, creio que não era assinado, se não me equivoco tal delírio saiu no jornal digital Correio do Brasil, um site que, por sinal, gosto muito, leio todos os dias e do qual reproduzo muita coisa neste Evidentemente).


 

Outro detalhe interessante é que a chamada grande imprensa começou metendo o pau nas manifestações; logo em seguida mudou a orientação (ficou nos anais a patética retratação do Arnaldo Jabor) e a Rede Globo (com seus irmãos da “mídia gorda”) tentou assumir o comando, mas desistiu logo, mesmo porque ela também passou a ser alvo dos protestos.


 

E, em seguida, entraram em cena os “vândalos”, os pop-stars dos monopólios da mídia hegemônica. Não os “vândalos” da repressão policial, mas os “vândalos” da chamada tática Black Bloc. Os jovens mascarados tornaram-se os verdadeiros protagonistas da “festa”, tanto no sentido real, como – e especialmente – no sentido midiático.


 

Sobre eles, aliás, me atrevi a divulgar aqui neste meu blog minha opinião pessoal, em meio a várias outras, inclusive discordantes, veiculadas aqui igualmente. Foi numa matéria sobre uma manifestação de estudantes em São Paulo, em outubro/2013. Quem quiser ler, deixo aqui o link: “Estudantes nas ruas de SP: enfrentando a polícia e os blackblocs”.




Transcrevo apenas o final da matéria:


“Conclusões preocupantes:



1 – Os black blocs, sem querer, dão à polícia uma fácil justificativa para a repressão violenta, imagino que com o respaldo da maioria da população;



2 – Os black blocs criam uma tensão a mais, uma dificuldade a mais para o movimento democrático e popular;



3 – Os black blocs e a repressão policial afugentam parcelas mais amplas da população que poderiam aderir às manifestações de rua;



4 – E os monopólios da mídia hegemônica, tarimbados em criminalizar os movimentos sociais, especialmente os de esquerda, deitam e rolam na demonização dos “vândalos” (ou seja, os black blocs, não os policiais)”.



Faltou acrescentar que a maneira como atuam os black blocs, inclusive com máscaras, facilita também a infiltração de policiais como provocadores entre os manifestantes.



Está aí uma modesta contribuição para os debates dos companheiros da “Oposição Operária”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Nosso Caro Jadson,

gostamos não só da chamada para o Seminário, mas, também, dos seus comentários sobre as Jornadas de Junho/Julho 2013. Agradecemos a divulgação e apareça para dar a sua contribuição ao debate.
Abraços,

Coordenação da Oposição Operária