sábado, 8 de março de 2014

EL SALVADOR: EX-GUERRILHEIRO É FAVORITO NA ELEIÇÃO DESTE DOMINGO




Salvador Sánchez Cerén, ex-comandante guerrilheiro e atual vice do presidente Mauricio Funes, encabeça a chapa da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (Foto: Internet)
ARENA e FMLN, clássicos rivais na política salvadorenha, disputam o segundo turno neste domingo, dia 9, em meio aos enormes desafios que esperam o governo a ser eleito.

Matéria do portal Nodal – Notícias da América Latina e Caribe, de 07/03/2014

Neste domingo, 9 de março, serão protagonistas numa nova medição de forças as históricas correntes de esquerda e de direita, durante o segundo turno eleitoral do qual sairá, duma vez por todas, o próximo presidente de El Salvador para os próximos cinco anos.

A governista FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, antiga força guerrilheira) estará representada pela chapa integrada pelos ex-comandantes guerrilheiros Salvador Sánchez Cerén e Oscar Ortiz, que são, respectivamente, o atual vice-presidente e o ex-prefeito de Santa Tecla.

A opositora ARENA (Aliança Republicana Nacionalista) estará representada pelo atual prefeito de San Salvador, Norman Quijano, e pelo acadêmico René Portillo Cuadra, que tem como antecedente haver apoiado a campanha presidencial da FMLN em 2004. Por seu lado, Quijano tem carreira política desde a administração pública municipal e mais de 14 anos como deputado da Assembleia Legislativa.

A rivalidade entre a FMLN e a ARENA data dos anos da guerra civil. Foram inimigos mortais desde os Esquadrões da Morte, criados pelo já falecido militar Roberto d’Aubuisson Arrieta, que também fundou a ARENA; enquanto a FMLN lutava com seus comandos clandestinos, por meio de atentados, sabotagens e sequestros contra os “que sustentavam a ditadura militar”.

Depois de acabada a guerra civil, com um acordo firmado em 1992 entre o então presidente Alfredo Cristiani (primeiro mandatário da ARENA) e o comando da FMLN, os dois agrupamentos transferiram seu antagonismo ao plano eleitoral, enfrentando-se em quatro pleitos presidenciais, três dos quais ganho pela ARENA. No domingo o favorito é a FMLN, que, segundo as últimas pesquisas, está com uma vantagem média de 14 pontos percentuais.

Durante a presente campanha política se pôde evidenciar o enfrentamento de dois programas opostos: a FMLN com um modelo mais social e em benefício de setores tradicionalmente excluídos e marginalizados como os camponeses pobres, os idosos, as mulheres e os menores de idade, que no atual governo foram objeto de programas como o da agricultura familiar, pensões básicas e incentivos escolares.

Já a ARENA iniciou sua campanha afirmando que os programas sociais eram “desperdício” dos recursos nacionais, mas depois do fracasso eleitoral que tiveram no primeiro turno, dia 2 de fevereiro, mudaram radicalmente o tom e agora prometem não só manter os programas sociais do atual governo, mas incrementá-los.

Outro elemento que apareceu durante o mês de campanha prévia para o segundo turno foi o medo de “converter-se em outra Venezuela”, expediente utilizado pela ARENA e grupos afins, no caso da FMLN chegar à vitória, amparando-se na crispação social enfrentada atualmente pelo país sul-americano.

Para ler mais, em espanhol, no Nodal:

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