sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MANDELA E O EXALTADO AGRADECIMENTO AOS CUBANOS




Nelson Mandela com Fidel Castro em Cuba (Foto: Diario Octubre)
“Sabemos que aqueles que lutaram e morreram em Angola foram apenas uma pequena parte dos que se ofereceram como voluntários. Para o povo cubano, o internacionalismo não é simplesmente uma palavra, mas algo que já vimos posto em prática para beneficiar grandes segmentos da humanidade”.

De Salvador (Bahia) - Nelson Mandela morreu. Através dos meios hegemônicos de comunicação, crias e representantes mais visíveis da direita, caixas de ressonância das vontades do império estadunidense, ressoam ontem, hoje, amanhã e depois de amanhã, elogios mil – muito merecidos, aliás – ao grande líder político que soube conduzir até a vitória a luta contra essa coisa tenebrosa chamada apartheid.

Barack Obama, que preside o governo do império, também não vai ficar atrás no tamanho dos elogios.

Mas é bom pensar um pouco: por que será que Mandela esteve – até bem recentemente, no ano de 2008 - fichado como “terrorista” nos registros oficiais da polícia política dos Estados Unidos?

Dou uma pista: veja aí um trecho do célebre discurso em que Mandela, em 1991, em Cuba, faz um exaltado agradecimento aos cubanos pela importante ajuda para derrotar militarmente o exército dos brancos opressores na África, aliados das forças colonialistas e das grandes empresas transnacionais. As tropas cubanas tiveram decisiva e heróica participação na famosa batalha de Cuito Cuanavale. Será que a nossa grande imprensa vai um dia falar disso?

Nada como as palavras do próprio para clarear as coisas e lançar luz às trevas das manipulações midiáticas. Mandela certamente sabia quem eram – e quem são - os amigos verdadeiros dos povos africanos. Os cubanos, por exemplo, tão caluniados e desrespeitados pelo império e pelos monopólios da mídia hegemônica.

Com a palavra Mandela:  

(...)

“Mas a lição mais importante que vocês podem oferecer é que não importam quais sejam as adversidades, não importam quais sejam as dificuldades contra as quais tenham que lutar, não podem jamais claudicar!

É um caso de liberdade ou morte!

Eu sei que o seu país está experimentando atualmente muitas dificuldades, mas estamos confiantes de que o indomável povo cubano as vencerá da mesma forma como tem ajudado outros povos a superar suas dificuldades.

Sabemos que o espírito revolucionário de hoje começou há muito tempo, e que esse espírito foi se alimentando do esforço dos primeiros combatentes pela liberdade de Cuba e, de fato, pela liberdade de todos aqueles que sofrem sob o domínio imperialista.

Nós também encontramos inspiração na vida e no exemplo de José Martí, que não é apenas um herói cubano e latino-americano, mas uma figura justamente venerada por todos os que lutam pela liberdade.

Nós também homenageamos o grande Che Guevara, cujas façanhas revolucionárias, inclusive em nosso continente, foram de tal magnitude que nenhum encarregado da censura na prisão pôde ocultá-las. A vida de Che é uma inspiração para todo ser humano que ama a liberdade. Sempre honraremos a sua memória.

A África tem uma grande dívida para com Cuba.

Viemos aqui com grande humildade. Viemos aqui com grande emoção. Viemos aqui conscientes da grande dívida que temos com o povo de Cuba. Que outro país pode mostrar uma história de maior desprendimento do que o mostrado por Cuba nas suas relações com a África?

Quantos países no mundo se beneficiam do trabalho dos profissionais de saúde e dos educadores cubanos?

Quantos deles estão na África?

Qual o país que solicitou a ajuda de Cuba e esta lhe foi negada?

Quantos países ameaçados pelo imperialismo ou que lutam por sua libertação nacional puderam contar com o apoio de Cuba?

Eu estava na prisão quando ouvi falar pela primeira vez sobre a ajuda massiva que as forças internacionalistas cubanas estavam dando ao povo de Angola, numa escala tal que nos era difícil acreditar, quando os angolanos foram atacados de forma combinada pelas tropas da África do Sul, da FNLA financiada pela CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos), dos mercenários e das forças da UNITA e do Zaire em 1975.

Nós na África estamos acostumados a ser vítimas de outros países que querem despedaçar nosso território ou subverter nossa soberania. Na história da África não existe outro caso de um povo que tenha se levantado em defesa de um de nós.

Sabemos também que esta foi uma ação popular em Cuba. Sabemos que aqueles que lutaram e morreram em Angola foram apenas uma pequena parte dos que se ofereceram como voluntários. Para o povo cubano, o internacionalismo não é simplesmente uma palavra, mas algo que já vimos posto em prática para beneficiar grandes segmentos da humanidade.

Sabemos que as forças cubanas estavam prontas para se retirar pouco depois de repelir a invasão de 1975, mas as agressões contínuas de Pretória tornaram isso impossível.

A presença de vocês e o reforço enviado para a batalha de Cuito Cuanavale têm uma importância verdadeiramente histórica.

A esmagadora derrota do exército racista em Cuito Cuanavale foi uma vitória para toda a África!

Essa retumbante derrota do exército racista em Cuito Cuanavale criou a possibilidade de Angola desfrutar da paz e consolidar a sua própria soberania!

A derrota do exército racista permitiu que o povo combatente de Namíbia, finalmente, alcançasse a sua independência!

A decisiva derrota das forças agressoras do apartheid destruiu o mito da invencibilidade do opressor branco!

A derrota do exército do apartheid serviu de inspiração ao povo combatente da África do Sul!

Sem a derrota do Cuito Cuanavale nossas organizações não teriam sido legalizadas!

A derrota do exército racista em Cuito Cuanavale tornou possível que eu possa estar aqui hoje com vocês!

Cuito Cuanavale foi um marco na história da luta de libertação da África Austral!

Cuito Cuanavale marca o ponto de viragem na luta para libertar o continente e nosso país do flagelo do apartheid!”

(...)

Deixo aqui o linkpara a íntegra do discurso de Mandela, em espanhol:

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