sábado, 21 de dezembro de 2013

MÃES DE MAIO/BRASIL: “ESQUECERAM DE COMUNICAR À POLÍCIA QUE A DITADURA TERMINOU”



(Foto: Página/12)
De Débora Maria da Silva (mãe dum jovem assassinado), líder do movimento Mães de Maio, criado em São Paulo em 2006, ano em que, durante o mês de maio, a polícia matou mais de 600 jovens negros e pobres das periferias, em represália aos ataques desferidos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A declaração foi no Fórum de Direitos Humanos, realizado no Brasil em meados deste mês: 
“Se temos uma polícia militarizada, a democracia é falsa. (...) A bala acertou no coração do meu filho, mas não me livrou do compromisso de lutar por este país. (...) Se comemora o fim da ditadura militar, mas se esqueceram de comunicar à polícia que a ditadura terminou”.
Da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, durante o mesmo Fórum: 
“O mundo ainda discute a pena de morte, que não deveria existir mais. (...) Não deveríamos reagir porque há uma pena de morte não declarada nos bairros periféricos do Brasil? (...) As democracias também precisam democratizar-se. O acesso à Justiça é fundamental em um país onde morrem proporcionalmente muito mais negros que brancos. Aproximadamente 82% mais. O racismo é parte da estrutura mais profunda de uma sociedade que foi escravista. A democracia racial não foi assumida e é uma marca profunda”.

Extraído de matéria assinada por Martín Granovsky, do jornal argentino Página/12, publicada pelo portal Carta Maior em 17/12/2013, com o título: “Pena de morte não declarada: a discussão sobre as polícias no Brasil”.


Bolívia: “A Justiça estava muito mal e continua igual”

O vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera (foto), anunciou que vai propor a incorporação ao Código Penal de condenações para juízes e promotores que não cumprem os prazos fixados nos processos e julgamentos penais. “A Justiça estava muito mal e agora continua igualmente mal como antes”, afirmou García Linera. Na Bolívia há 14 mil presos, a maioria deles com detenção preventiva e sem sentença transitada em julgado. “Não podemos ter processos que durem oito ou dez anos – acrescentou. Essa é a pior forma de tortura.”

Da notinha de capa do Página/12, edição de 19/12/2013.

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