segunda-feira, 4 de novembro de 2013

QUANTO MAIS PERSEGUIR OS BLACK BLOCK, MAIS ELES CRESCERÃO (o debate continua)



Por Antônio David, especial para o Viomundo, de 02/11/2013 

Este artigo só poderá ser compreendido por quem entende a diferença entre justificar e explicar. O objetivo desses parágrafos não é justificar a ação dos Black Blocs, mas tentar explicar por que os Black Blocs existem e por que agem como agem. Não tem por objetivo defender que os Black Blocs estejam certos ou errados, muito menos que sejam bons ou maus. Se os Black Blocs têm razão ou não têm razão, deve-se, antes, procurar suas razões, sejam elas justas ou não.

Aqui, parte-se de um pressuposto: se os Black Blocs ganham cada vez mais corpo e projeção (é uma hipótese), deve haver razões para tanto, razões que estão inscritas na sociedade e que, portanto, vão além desse ou daquele indivíduo. Não se trata aqui de dizer que os Black Blocs não devam ser criticados. Trata-se de dizer que, para criticar, é preciso antes entender.

(...)

10. Repleta de limitações, contradições e desvios, a Democracia é uma conquista da classe trabalhadora. Mas a presença dos Black Blocs, atraindo cada vez mais adeptos e simpatizantes, é sintoma das limitações da democratização da sociedade e do Estado no Brasil, no que se inclui a impermeabilidade de um sistema repressivo herdado da ditadura.

A sociedade brasileira é recortada de cima a baixo pela violência, uma violência costumeira e brutal, com a qual nossa Democracia convive bem. Na ausência de outros meios para fazer frente à violência no sentido de suprimi-la, criam-se espontaneamente meios (violentos) e com eles se reage (com violência) à violência sofrida. A estética Black Bloc é, pois, um destes meios.

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