quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MÍDIA CONSERVADORA PREOCUPADA

O movimento democrático e popular, afinado com o kischnerismo, festejando na Praça do Congresso, em Buenos Aires, quando da decisão histórica da Corte Suprema em 29 de outubro (Foto: jornal Página/12)
O conservadorismo midiático sofreu uma grande derrota com a decisão da Corte Suprema da Argentina, por seis votos a um, considerando constitucional a legislação sobre os meios de comunicação. O Grupo Clarin, que terá de passar adiante boa parte de seus espaços midiáticos, porque a legislação não permite monopólios no setor, tentava desde 2009 na Justiça tornar sem efeito a lei aprovada pelo Congresso depois de pelo menos três anos de discussão pela sociedade. Agora, a decisão não permite mais recursos.

Por Mário Augusto Jakobskind, na Rede Democrática, de 13/11/2013

Poucas horas depois de ser conhecida a decisão final sobre a questão, a Rede Globo reforçou o linchamento midiático dos Kirchner. No editorial do jornal da madrugada, a tônica foi a crítica da composição dos ministros da instância máxima da Justiça argentina. Para os desesperados da Globo, a Corte é subordinada ao governo e grande parte dos integrantes foram nomeados por Nestor e Cristina.

Curioso que quando houve uma proposta no sentido de os ministros serem eleitos, a grita foi geral, ampla e irrestrita. O projeto não seguiu adiante. Na verdade, o esquema conservador, com fortes ramificações nos países latino-americanos, se desespera com o fato da ampliação do debate sobre a questão midiática. Na falta de argumentos investem contra o Executivo, Judiciário e Legislativo.

Os analistas de sempre centraram as baterias sobre a Argentina, mas preferiram não adotar um posicionamento tão crítico em relação ao acontecido na Grã-Bretanha, quando o Conselho Assessor da Rainha, composto por altos funcionários e membros do governo, sancionou o novo regime que contempla a criação de um órgão regulador da mídia e outro ouvidor com poderes ampliados e multas de mais de um milhão de dólares pela violação do código de ética da imprensa.

Os barões midiáticos ingleses ainda tentaram aos 45 minutos do segundo tempo dois recursos judiciais para impedir a aprovação da regulação midiática. Mas como se trata da Inglaterra, os midiáticos conservadores destas bandas preferiam atacar apenas a decisão da Justiça argentina.

Ao esquema de manipulação somou-se o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, em sua coluna de domingo em jornais que não podem ouvir falar em regulação da mídia. Cardoso utilizou argumentos do gênero senso comum ao afirmar que o objetivo era atingir o “grupo independente do Clarin”. O ex-presidente demonstrou com isso que não conhece a matéria e apenas comentou para ficar bem com seus parceiros conservadores.

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