quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CRÔNICA: LEMBRANÇAS EM TORNO DE GOULART

João Goulart: com a exumação dos restos do presidente derrubado pelos golpistas, poderá se esclarecer, finalmente, se ele foi envenenado ou não (Foto: Internet)

Nas redações da mídia conservadora ocultaram-se as pesquisas que apontavam a popularidade do presidente e o apoio às Reformas de Base.

Por Flávio Aguiar, no portal Carta Maior, de 13/11/2013

Começo por uma heresia biográfica: para falar de Goulart, a primeira lembrança que me vem à mente é... Brizola!

Porque não dá para falar de um sem pensar no outro.

Brizola era o grande espantalho da direita brasileira, das redações da mídia conservadora aos civis e militares golpistas, antes e depois do golpe.

Quem viveu lembra da campanha: “Cunhado não é parente, Brizola pra presidente”. A legislação brasileira proibia parente de presidente de se candidatar, e a discussão girava em torno de isto se referia apenas aos consanguíneos...

Goulart era visto como um conciliador pela direita. Era perigoso porque temiam a influência do cunhado sobre ele. Com o passar do tempo, ser conciliador também ficou perigoso para a direita, que arreganhava os dentes em toda parte.

Daí tinha um Goulart no meio do caminho, no meio do caminho tinha um Goulart.

Antes de ser uma pedra no caminho, Goulart foi uma pedra no sapato da direita, uma pulga na camisola, como dizia o título de famoso sketch de rádio naquelas épocas.

Primeiro, como Ministro do Trabalho de Getúlio tomou uma série de medidas em favor dos trabalhadores, como a regulamentação de aposentadorias, a convocação do Primeiro Congresso da Previdência Social, e defendeu o aumento do salário mínimo reivindicado pelos sindicatos, de 100%, contra 42% oferecidos pelas classes patronais. O sonho destas na verdade era o retorno do estilo do governo Dutra, que durante sua gestão não deu num único reajuste do mínimo. Jango teve de renunciar ao ministério em fevereiro de 1954, mas em 1º. de maio Getúlio assinou o decreto concedendo o aumento de 100%, sem saber ainda que já estava assinando sua Carta Testamento.

Depois Jango elegeu-se por duas vezes vice-presidente (as votações eram separadas então): primeiro com o conciliador Juscelino Kubitschek, tendo mais votos do que este. Depois, como vice de Jânio, tendo concorrido contra este, na chapa encabeçada pelo Marechal Lott.

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