terça-feira, 12 de novembro de 2013

BOAVENTURA: “MARINA SILVA É UMA CARA NOVA PARA A DIREITA”




Ex-senadora Marina Silva (Foto: Internet)
Reproduzo aqui no Evidentemente, a partir do site Unisinos, mais uma pequena parte de entrevista do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, uma referência da militância de esquerda em todo o mundo. Foi concedida a Ricardo Mendonça e publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 26/10/2013.

Boaventura veio ao Brasil para o lançamento de dois livros: "Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos" e "Direitos Humanos, democracia e desenvolvimento", o segundo em coautoria com a filósofa Marilena Chaui.

A entrevista é bem longa. Vai aqui dividida em algumas postagens, por assunto. Esta quarta parte refere-se somente à posição política da ex-ministra Marina Silva, da Rede Sustentabilidade (partido político ainda não oficializado), por enquanto no PSB. A pergunta foi logo em seguida à crítica do entrevistado à presidenta Dilma Rousseff por ter “uma grande insensibilidade social”.

Pergunta: A ex-ministra Marina Silva tem um discurso mais próximo desses segmentos que o senhor mencionou, meio ambiente, indígenas. Ela serve para a esquerda?

Resposta: Eu penso que não. Sou amigo da Marina Silva, estive em vários painéis com ela e comungo com ela muitas causas ambientalistas. Mas acho que não porque a influência religiosa no país iria nitidamente continuar a desequilibrar. A dimensão religiosa que está por trás dela é uma dimensão que, no meu entender, tem mais um potencial conservador do que um potencial da Teologia da Libertação. Portanto é um potencializador de uma interferência conservadora na sociedade.

Isso pode ter outras dimensões para os direitos das mulheres, dos homossexuais, para as diversidades sexuais.

Por outro lado, sua política econômica, por aquilo que tenho visto e pelos apoios que ela recorre, é realmente uma tentativa de, com uma cara nova, uma mulher, repor o sistema que estava antes. Seria desacelerar ainda mais as políticas de redistribuição social que foram aquelas que, no meu entender, mais caracterizaram o período Lula.

Não penso que a Marina Silva esteja muito sensível a isso tudo. Então eu penso que ela é uma cara nova para a direita. Não é uma cara para a esquerda, no meu entender.

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