quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ARGENTINA: APARECEM PAPÉIS DO TERRORISMO DE ESTADO

As atas das reuniões da cúpula da ditadura: a desgraceira está toda documentada, tudo organizado, vai sobrar também para empresários que comeram e se lambuzaram no terror

Uma limpeza em um prédio da Força Aérea argentina acabou revelando documentos muito sensíveis relacionados à ditadura que sufocou o país. 

Por Eric Nepomuceno, no portal Carta Maior, de 06/11/2013

Pouco antes da uma da tarde da quinta-feira, último dia de outubro, o ministro argentino da Defesa, Agustin Rossi, recebeu um telefonema do brigadeiro Mario Callejo, chefe do Estado Maior da Força Aérea. Parecia um telefonema de rotina entre o ministro e um de seus subordinados fardados. Mas, não: foi um telefonema revelador.

Callejo disse ao ministro que nos porões do prédio onde está instalada a Força Aérea Argentina, batizado de Edifício Condor, tinham sido encontrados, durante uma limpeza de rotina, ‘documentos que podem ser muito sensíveis’, relacionados à ditadura sangrenta que sufocou o país entre março de 1976 e dezembro de 1983.

Não se sabe durante quanto tempo essa documentação, que começou a ser escrita há 37 anos e se encerrou há 30, adormeceu em dois cofres, dois armários e uma estante no porão do prédio que um dia foi ministério. São pelo menos 280 atas secretas de reuniões das cúpulas máximas do Exército, Marinha e Força Aérea, que integravam as juntas militares, abrigadas em seis pastas.

Nessas atas, onde foram registrados os debates sobre os sequestrados que foram depois ‘desaparecidos’, também há vasto material sobre o conflito com o Chile pelo Canal de Beagle, e que quase desatou uma guerra entre os dois países, e a sequencia de debates que levaram à prisão da família de David Graiver, que era o dono da Papel Prensa, única fábrica de papel do país.

E há muito mais: outras 1.500 pastas com documentação da Comissão de Assessoria Legislativa, cuja função era dar sustentação aos planos, trazem programas e projetos do governo, e os registros de todos os pedidos que chegavam à Junta Militar enviados por familiares das vítimas da repressão. Há um sem-fim de marcas dos desatinos daqueles tempos bárbaros. Lá estão as chamadas ‘listas negras’ com os nomes de intelectuais, artistas, jornalistas, advogados, militantes de direitos humanos, cada um deles com a respectiva classificação, que ia de ‘f1’ a ‘f4’ indicando o grau de perigo que representavam. Tudo muito ordenado, muito organizado.

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