segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CASO CHEVRON: EMOÇÃO NO TESTEMUNHO DE CAMPONÊS DO EQUADOR NA ONU

José Shingre, campesino ecuatoriano
José Shingre, camponês equatoriano (Foto: Aporrea)



"Queremos água... e justiça"






Nova Iorque – O camponês da Amazônia equatoriana José Shingre emudeceu momentaneamente a audiência da Organização das Nações Unidas, que escutou seu testemunho, dado entre lágrimas, sobre como a contaminação deixada em suas terras pela gigante petroleira Chevron- Texaco causa mortes por doença a milhares de seus companheiros.

“Por consequência disso estão morrendo centenas, e já milhares de companheiros camponeses, indígenas, e o que mais nos dói na alma é que inclusive os governos não nos ajudaram em nossos clamores; não queremos dinheiro, o que queremos são duas coisas, senhores! Queremos água, porque na área não há como ter água, está contaminada. Por mais que as autoridades locais queiram nos dar água, não podem, tudo está contaminado (…) e queremos justiça, nada mais, justiça, porque hoje em dia nem a agricultura nos vale. De que vale que nós tenhamos as mãos cheias de calos?”, disse no dia 26/setembro.

Shingre, um dos representantes amazônicos afetados pelo manejo ambiental negligente da Chevron-Texaco na Amazônia equatoriana, recebeu no dia 23/setembro visto para ingressar nos Estados Unidos, um documento que originalmente lhe foi negado pela embaixada do país no Equador e que necessitava para poder dar seu testemunho no evento “Direitos Humanos, Meio Ambiente e Transnacionais: o caso Chevron-Texaco no Equador”, que se levou a cabo nos marcos do 68º. Período de Sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.

“Eles governavam (Texaco). Não governavam as autoridades nem mesmo as Forças Armadas, porque eles determinavam ‘que se vão estes uniformizados’, para que nós não realizássemos nossa resistência quando destruíam os cultivos de café, cana de açúcar, frutas, entre outros, e nós, inclusive, éramos perseguidos pelas mesmas autoridades”.

“Nossas famílias adoecem a cada instante e enquanto permaneça esta prática da Chevron, antes Texaco, nada será bom, por mais que possam agrupar todos os médicos do mundo, temos claro na mente que se não se muda isso e se busca uma solução ambiental adequada, a partir do coração humano, nenhum remédio será bom, nenhum remédio”.

“E hoje, quando pedimos justiça, se diz que (o culpado) é o mesmo Estado (equatoriano), não estamos defendendo o Presidente, mas nós nos sentimos o Estado, ou seja, querem que nós próprios paguemos as injustiças cometidas pela Texaco, hoje Chevron, e isso não deve acontecer em nenhuma parte do planeta”.

“Estamos vendo claro que eles defendem somente os dólares, a parte econômica, a parte mercantil, porém não se defende a vida, quando a vida vem em primeiro lugar, não outra coisa”, disse.

Tradução: Jadson Oliveira




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