segunda-feira, 9 de setembro de 2013

MÉDICOS CUBANOS: EU FUI PACIENTE DO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICA NA VENEZUELA (Parte 4/final)



Eis aí a "prova do crime": o gesso foi colocado em Caracas e retirado em Salvador (Bahia) (Foto no espelho: Jadson Oliveira)
De Belo Horizonte (MG) – Terminado meu relato, nos três primeiros capítulos, da minha experiência como paciente do serviço público e gratuito de saúde da Venezuela (com passagem também pelo Serviço Único de Saúde, o SUS brasileiro), publico para finalizar uma matéria de balanço de nove anos da chamada Missão Bairro Adentro, que é o programa criado pelo  governo de Hugo Chávez para cuidar da saúde dos pobres.

Atente que a matéria é de outubro do ano passado, quando Chávez ainda estava vivo e era presidente; atente também para o significado da palavra “barrio” na Venezuela, trata-se de bairro pobre, favela, morro, invasão; outro nome muito usado lá para bairro tipo favela é “barriada”.

Trabalham – e prestam relevantes serviços aos venezuelanos, especialmente às camadas mais pobres - na “Misión Barrio Adentro” 30 mil médicos cubanos, daí a atualidade do tema no Brasil de hoje, quando a vinda de cubanos para o programa Mais Médicos, do governo federal, gerou uma grande polêmica na sociedade brasileira. Este blog tem publicado várias matérias sobre o assunto.

Meus relatos foram postados aqui no blog, com o mesmo título e a mesma foto acima, nos dias 13, 20 e 28 de agosto.

(Foto: AVN)
BALANÇO DE NOVE ANOS DA MISSÃO BAIRRO ADENTRO

Por Yesenia Chapeta, da Agência Venezuelana de Notícias (AVN - estatal), de 06/10/2012

De Caracas - Em 2003, a Venezuela começou a conceber os primeiros módulos de ladrilhos vermelhos e estrutura metálica laqueada em azul. Nascia então a Missão Bairro Adentro (Misión Barrio Adentro), forjada para estender o braço da atenção médica primária até os setores mais carentes.

Na atualidade, mais de 7 mil daqueles módulos foram construídos em bairros pobres e povoados recônditos, embora esta etapa passasse a ser o primeiro estágio dum sistema mais ambicioso e complexo.

Em 12 de junho de 2005, Bairro Adentro superou a atenção primária e se especializou em serviços de diagnóstico e recuperação integral.

Bairro Adentro II arrancou com a meta inicial de construir 600 Centros de Diagnóstico Integral (CDI), 600 Salas de Reabilitação Integral (SRI) e 35 Centros de Alta Tecnologia (CAT). Sete anos depois, as realizações chegam perto dos 100% daquelas cifras: o sistema de saúde pública inclui mais de 550 CDI, 583 SRI e 34 CAT, de acordo com dados atualizados na data (outubro/2012).

Posteriormente, se ampliou o âmbito de ação com mais duas etapas. A terceira, orientada a reforçar a velha estrutura hospitalar do país e a construir novos centros de saúde; e a quarta, que se enfoca na criação de núcleos especializados, como o Cardiológico Infantil de Caracas.

Te odeio e te amo, Bairro Adentro

Bairro Adentro tem sido objeto de duros ataques no  país, principalmente pela carga política que implica sua criação, inclusive porque o presidente Hugo Chávez empreendeu o projeto com a assessoria de Cuba, e, mais ainda, com o emprego de centenas de médicos formados na nação socialista.

De maneira que, para um venezuelano identificado com os setores que fazem oposição a Chávez, é muito possível que Bairro Adentro "não sirva", somente porque representa uma iniciativa do mandatário nacional. Simples assim.

Não obstante as críticas, em nove anos, mais de 69 milhões de consultas e em torno de 1 milhão e 200 mil cirurgias são contabilizadas só nos CDI, que beneficiam as classes populares e também os mais remediados, que procuram os serviços de Bairro Adentro porque não podem pagar os altos preços cobrados nas clínicas e centros de imagem.

Gustavo Montilla, de 80 anos e habitante de El Cafetal, um setor de gente rica na zona leste de Caracas, diz sem complexos que tem ido várias vezes ao CDI de Chuao para fazer fisioterapia: "Sou paciente de reabilitação por um problema que tenho na coluna. Primeiro fui ao fisiatra, logo me mandaram à reabilitação, também me ensinaram exercícios para fazer em casa. Na verdade, é um serviço extraordinário, vamos dar a César o que é de César".

Um CDI oferece serviços de emergência, raio X, laboratório, ultra-som, diagnóstico, endoscopia, eletrocardiograma, Sistema Ultra Micro Analítico (Suma), oftalmologia clínica e anatomia patológica, dentre outros.

Os CAT, mais especializados ainda, contam com equipes para ressonância magnética, tomografia axial, eco-tridimensional, mamografia, vídeo-endoscopia, etc.
Se o serviço de saúde requerido é eletroterapia, tração cérvico-lombar, termoterapia, hidroterapia, terapia ocupacional, terapia de linguagem, foniatria ou podologia, o lugar a ser procurado é uma Sala de Reabilitação Integral (SRI).

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