segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CHILE: O 11 DE SETEMBRO ABRE VELHAS FERIDAS



"Marcho com teu rosto e levo teu projeto em minha memória": o mote da mobilização ontem (Foto: EFE/Página/12)
Os familiares das vítimas da ditadura chilena fizeram mais uma marcha, como ocorre anualmente no domingo que antecede o 11 de setembro, pela verdade e pela justiça: a data é marcada por numerosos pedidos de perdão feitos por civis que apoiaram Pinochet, por ação ou por omissão. Organismos de direitos humanos pedem o fim da impunidade.

Por Christian Palma, de Santiago – reproduzido do jornal argentino Página/12, de 09/09/2013

Os rostos de dois mil assassinados e presos desaparecidos durante a ditadura cívico-militar chilena encabeçaram a tradicional marcha que as entidades de direitos humanos realizam no domingo anterior ao 11 de setembro: nesse dia, em 1973, Augusto Pinochet liderou um golpe de Estado que governou o Chile a custo de tortura, assassinatos e uma política de terror que ainda mantém abertas muitas feridas.

A simbólica manifestação começou calmamente. Mais de 30 mil pessoas se agruparam pelo centro de Santiago marchando em direção ao Cemitério Geral, lugar onde se encontra o Memorial do Assassinado Político e do Preso Desaparecido. Agora, quando completam 40 anos que os militares tomaram o poder pela força, a frase “Marcho com teu rosto e levo teu projeto em minha memória” foi o mote que marcou a marcha. O memorial é o cenário final da principal romaria encabeçada por familiares das vítimas para homenageá-las, e é um dos muitos espaços, monumentos, lugares de memória que evocam as violações dos direitos humanos sob o regime de Augusto Pinochet.

A data é marcada por numerosos pedidos de perdão feitos por civis que apoiaram a ditadura, por ação ou por omissão, e por outros que consideram que não é necessário. Neste sentido, a presidente da Agrupação de Familiares de Presos (Detidos) Desaparecidos (AFDD), Lorena Pizarro, afirmou que é o momento de se enfileirar com aqueles que queiram construir um país justo e sem impunidade, destacando que para isso a justiça e a memória são fundamentais.

“Creio que esta é uma bela demonstração de que este é um país cuja história não foi engolida e de que este não é um tema do passado. A verdade, a justiça e a memória são fundamentais para construir um país que se encare de frente, não com criminosos, não com a impunidade”, disse.

Clicar aqui para continuar lendo, em espanhol, incluindo a parte que fala de violência e repressão durante a manifestação:

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