sábado, 25 de fevereiro de 2012

“ME SENTI UMA PRESA NO TURISMO PREDATÓRIO DE CANCÚN-MÉXICO”


Por Fabiano Viana Oliveira (foto), publicitário e professor


Ao adquirir um pacote turístico num lugar tão caro e badalado quanto Cancún, no México, a última coisa que você vai se preocupar é se será bem tratado e bem vindo, pois você está viajando para um lugar que foi inventado (a cidade tem apenas 41 anos) para recepcionar turistas (especialmente estadunidenses, mas que com a crise eram minoria comparados aos brasileiros – os novos ricos do mundo do consumo turístico).


Realmente fomos bem recebidos, todos são muito simpáticos e solícitos, chegando até ao limite da subserviência. Porém algo errado se passava nos “subterrâneos” desse paraíso. O primeiro sinal de atividade predatória aconteceu já no desembarque do aeroporto de Cancún. No local indicado como sendo de informações turísticas, os balcões eram tomados por representantes de vendas dos hotéis... Coisa curiosa, já que se supõe que informações turísticas sejam atividades oferecidas pelo poder público... Mas que nada: perdemos 15 minutos ouvindo educadamente uma “vendedora” falar que os pacotes dela e do hotel dela eram melhores e mais baratos que os nossos e que se nós deixássemos 40 dólares de depósito naquele momento, eles providenciariam tudo, inclusive a mudança de hotel... E nós só queríamos saber onde eram os translados que nos aguardariam assim que chagássemos.


Ao chegar no hotel, fomos abordados por alguém do hotel, uma senhora simpática, que achei que estava se oferecendo para nos mostrar as instalações do hotel... Triste engano, sentamos e ouvimos educadamente por 15 minutos mais uma tentativa de nos vendar pacotes de passeios, supostamente mais baratos que os da operadora brasileira com quem já tínhamos nos comprometido.

Oferecer algo mais barato, depreciando o serviço dos outros, já é algo a se desconfiar como tática de comércio, mas o pior estava por vir: a mulher disse que tinha um presente para nós e para receber tínhamos que dar um depósito de 5 dólares... Quem será que ensina essas pessoas a conquistar clientes?... Um presente!? Cinco dólares? Veja, não estou reclamando do preço, mas do fato de chamarem de presente algo pelo qual eles estão cobrando com o depósito. Pior ficou quando a mulher começou a dizer que tinha filhos para criar e precisava vender aqueles pacotes... Bom, se você faz turismo em lugar pobre, deve esperar algum nível de mendicância, mas naquele lugar rodeado de luxo e ainda por alguém do próprio hotel... Foi demais! Fomos embora e não mais usamos o lobby do hotel para entrar ou sair, pois esses “predadores” ficavam lá à espreita o tempo todo.


Quem dera essa atividade predatória fosse apenas no aeroporto e no hotel. Qualquer caminhada que nós déssemos em qualquer direção tinha algum quiosque de venda de pacotes turísticos e, diferente do que se possa imaginar, eles abordam você e não é preciso chegar perto do quiosque. O turista se sente literalmente uma presa: “brasileiro?” “pacotes mais baratos” “de São Paulo? Rio de Janeiro? Bahia?” Não importa quantos “No, gracias!” você diga, eles ficam atrás de você.


Outra coisa curiosa, eles aceitam dólares americanos como moeda corrente, mas sempre dão o troco em pesos mexicanos, cujo câmbio é por volta de 1 para 13. Assim o troco sempre favorece o estabelecimento. É incrível. Nas lojas populares, os vendedores não colocam preços nas mercadorias, dão o preço pela sua cara e aí veem a sua reação, aí podem ir baixando. E o mais curioso e constrangedor: em qualquer lugar, inclusive nos ônibus de turismo, tem uma caixa ou cesto dizendo: “aceitamos propinas!”... Para não confundir: propina é gorjeta em espanhol. Todos querem gorjetas o tempo todo, inclusive nos lugares em que você já pagou o open bar. Quer dizer, se você não estiver sempre com dinheiro (de preferência dólares) para dar de gorjeta, você passa por mal educado ou mal agradecido... “Mas eu já não paguei pelo serviço???”


Bom, a explicação que nos foi dada para essa atitude predatória por parte da população local, descendentes dos orgulhosos Maia, que preveem uma grande transformação no mundo (quem sabe o seu fim) para o próximo dia 21/12/12, é que o salário mínimo no México é de apenas US$200,00 (duzentos dólares americanos). Assim a população precisa se submeter a esse regime predatório para garantir renda extra. Isso pode até explicar, mas não sei se justifica, pois até comercialmente a sensação não é das melhores para o turista que lá está, sendo uma presa constante desses “ataques”.


A conclusão que se pode chegar é que, independentemente do local turístico ser tão bem preparado estruturalmente para receber o turista de alto padrão, se a população local não usufrui da riqueza gerada no lugar, sendo apenas massa de trabalho pobre e subserviente, então o local será sempre pobre.

2 comentários:

Jadson Soares Oliveira disse...

Fabiano, é por essas e outras que eu só viajo como mochileiro.

Próximo destino Ecuador.

Jadson sobrinho.

Anônimo disse...

Concordo, sem toda essa pompa de turistão é bem melhor!

Fabiano

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