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| Metade da plateia que lotou o auditório da Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, no ato contra a intolerância religiosa (Foto: Jadson Oliveira) |
Ele se dirigia ao “povo de santo”, isto é, os seguidores do Candomblé, religião de origem africana (assim como a Umbanda) muito forte na Bahia. O auditório estava repleto, umas 500 pessoas, grande parte com roupa branca e trajes típicos de pais/mães de santo e filhos/filhas de santo. Além deles, estavam lá adeptos de variados credos e lideranças católicas, evangélicas e espíritas, dentre outras religiões, como a pouco conhecida União do Vegetal. Entre os líderes do Candomblé, o maior símbolo atualmente dos cultos afros na Bahia: a ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, do Terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, que fica no bairro de São Gonçalo do Retiro/Cabula.
Quem certamente não estavam por lá eram os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), dos chamados neopentecostais, que ganhou muitos seguidores com o uso dos meios de comunicação de massa, especialmente rádio e televisão (seus dirigentes estão ligados aos donos da TV Record). A escolha do dia 21 de janeiro para celebrar o respeito às diferenças religiosas está vinculada a uma manifestação de intolerância e racismo praticada pela Iurd contra o Candomblé.
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| Quatro dos homenageados: ialorixá Mãe Stella, líder espírita José Medrado, monsenhor Gaspar Sadock e pastor Djalma Torres (Foto: Reprodução) |
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| Vereadora Olívia Santana, autora do projeto que deu origem ao Dia de Combate à Intolerância Religiosa (Foto: Jadson Oliveira) |
José Medrado e Mãe Stella foram dois dos homenageados durante a cerimônia com placa alusiva ao dia. Os demais foram: o pastor protestante Djalma Torres; o monsenhor Gaspar Sadock, que vai receber sua placa em casa por estar bem velho e enfermo; e representantes do Terreiro Roça do Ventura, da cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, os quais venceram recentemente uma ação judicial contra membros da Igreja Universal, acusados de invadir uma área pertencente ao terreiro.
A instituição do Dia de Combate à Intolerância Religiosa em Salvador, em 2004, foi iniciativa da vereadora Olívia Santana, do PCdoB (foi ela que organizou o evento do sábado, em parceria com o Cecup – Centro de Educação e Cultura Popular e o Unegro – União de Negros pela Igualdade, com apoio do governo estadual). Depois, em 2007, passou a ter caráter nacional por projeto do deputado federal Daniel Almeida, também do PCdoB-Bahia.
Durante o ato discursaram – além de Olívia Santana, Daniel Almeida e os homenageados (com exceção, óbvio, de Gaspar Sadock) – representantes do Unegro, Cecup, Arquidiocese de Salvador, União Vegetal, Ministério Público Estadual e Federal, Fundação Palmares e do governo do estado. O encerramento ficou por conta da bela apresentação da Orkestra Rumpilezz, do maestro Letieres Leite, mencionada como “orquestra afro-baiana”.
(Logo abaixo estão postados três vídeos: com Olívia Santana, José Medrado e um pedacinho do show da Orkestra Rumpilezz).



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